segunda-feira, dezembro 31, 2007

terça-feira, dezembro 11, 2007

Ana Benavente interrompeu o silêncio e ( já agora ... )talvez valha a pena ler

Recebi há dias este texto por email. Penso que valha a pena partilhá-lo.




Será este o país que queremos?
Não sou certamente a única socialista descontente com os tempos que vivemos e com o actual governo. Não pertenço a qualquer estrutura nacional e na secção em que estou inscrita, não reconheço competência à sua presidência para aí debater, discutir, reflectir, apresentar propostas. Seria um mero ritual. Em política não há divórcios. Há afastamentos. Não me revejo neste partido calado e reverente que não tem, segundo os jornais, uma única pergunta a fazer ao secretário-geral na última comissão política. Uma parte dos seus actuais dirigentes são tão socialistas como qualquer neoliberal; outra parte, outrora ocupada com o debate político e com a acção, ficou esmagada por mais de um milhão de votos nas últimas presidenciais e, sem saber que fazer com tal abundância, continuou na sua individualidade privilegiada. Outra parte, enfim, recebendo mais ou menos migalhas de poder, sente que ganhou uma maioria absoluta e considera, portanto, que só tem que ouvir os cidadãos (perdão, os eleitores ou os consumidores, como queiram) no final do mandato.
Umas raríssimas vozes (raras, mesmo) vão ensaiando críticas ocasionais. Para resolver o défice das contas públicas teria sido necessário adoptar as políticas económicas e sociais e a atitude governativa fechada e arrogante que temos vivido?
Teria sido necessário pôr os professores de joelhos num pelourinho? Impor um estatuto baseado apenas nos últimos sete anos de carreira? Foi o que aconteceu com os "titulares" e "não titulares", uma nova casta que ainda não tinha sido inventada até hoje. E premiar "o melhor" professor ou professora? Não é verdade que "ninguém é professor sozinho" e que são
necessárias equipas de docentes coesas e competentes, com metas claras, com estratégias bem definidas para alcançar o sucesso (a saber, a aprendizagem efectiva dos alunos)?
Teria sido necessário aumentar as diferenças entre ricos e pobres? Criar mais desemprego? Enviar a GNR contra grevistas no seu direito constitucional? Penalizar as pequenas reformas com impostos? Criar tanto desacerto na justiça? Confirmar aqueles velhos mitos de que "quem paga é sempre o mais pequeno"? Continuar a ser preciso "apanhar" uma consulta e, não, marcar" uma consulta? Ouvir o senhor ministro das Finanças (os exemplos são tantos que é difícil escolher um, de um homem reservado, aliás) afirmar que "nós não entramos nesses jogos", sendo os tais "jogos" as negociações salariais e de condições de trabalho entre Governo e sindicatos. Um "jogo"? Pensava eu que era um mecanismo de regulação que fazia parte dos regimes democráticos.
Na sua presidência europeia (são seis meses, não se esqueça), o senhor primeiro-ministro mostra-se eufórico e diz que somos um país feliz. Será? Será que vivemos a Europa como um assunto para especialistas europeus ou como uma questão que nos diz respeito a todos? Que sabemos nós desta presidência? Que se fazem muitas reuniões, conferências e declarações,
cujos vagos conteúdos escapam ao comum dos mortais. O que é afinal o Tratado de Lisboa? Como se estrutura o poder na Europa? Quais os centros de decisão? Que novas cidadanias? Porque nos continuamos a afastar dos recém-chegados e dos antigos membros da Europa? Porque ocupamos sempre (nas estatísticas de salários, de poder de compra, na qualidade das prestações dos serviços públicos, no pessimismo quanto ao futuro, etc., etc.) os piores lugares? Porque temos tantos milhares de portugueses a viver no limiar da pobreza? Que bom seria se o senhor primeiro-ministro pudesse explicar, com palavras simples, a importância do Tratado de Lisboa para o bem-estar individual e colectivo dos cidadãos portugueses, económica, social e civicamente.
Quando os debates da Assembleia da República são traduzidos em termos futebolísticos, fico muito preocupada. A propósito do Orçamento do Estado para 2008, ouviu-se: "Quem ganha? Quem perde? Que espectáculo!" "No primeiro debate perdi", dizia o actual líder do grupo parlamentar do PSD, "mas no segundo ganhei" (mais ou menos assim). "Devolvam os
bilhetes...", acrescentava outro líder, este de esquerda.
E o país, onde fica? Que informação asseguram os deputados aos seus eleitores? De todos os partidos, aliás. Obrigada à TV Parlamento; só é pena ser tão maçadora.
Órgão cujo presidente é eleito na Assembleia, o Conselho Nacional de Educação festeja 20 anos de existência. Criado como um órgão de participação crítica quanto às políticas educativas, os seus pareceres têm-se tornado cada vez mais raros. Para mim, que trabalho em educação, parece-me cada vez mais o palácio da bela adormecida (a bela é a participação democrática, claro). E que dizer do orçamento para a cultura, que se torna ainda menos
relevante? É assim que se investe "nas pessoas" ou o PS já não considera que "as pessoas estão primeiro"?
Sinto-me num país tristonho e cabisbaixo, com o PS a substituir as políticas eventuais do PSD (que não sabe, por isso, para que lado se virar). Quanto mais circo, menos pão. Diante dos espectáculos oficiais bem orquestrados que a TV mostra, dos anúncios de um bem-estar sem fim que um dia virá (quanto sebastianismo!), apetece-me muitas vezes dizer: "Aqui há
palhaços." E os palhaços somos nós. As únicas críticas sistemáticas às agressões quotidianas à liberdade de expressão são as do Gato Fedorento.
Já agora, ficava tão bem a um governo do PS acabar com os abusos da EDP, empresa pública, que manda o "homem do alicate" cortar a luz se o cidadão se atrasa uns dias no seu pagamento, consumidor regular e cumpridor... Quando há avarias, nós cortamos-lhes o quê?? Somos cidadãos castigados! O país cansa!
Os partidos são necessários à democracia mas temos que ser mais exigentes. Movimentos cívicos... procuram-se (já há alguns, são precisos mais). As anedotas e brincadeiras com o "olhe que agora é perigoso criticar o primeiro-ministro" não me fazem rir. Pela liberdade muitos deram a vida. Pela liberdade muitos demos o nosso trabalho, a nossa vontade, o nosso
entusiasmo. Com certeza somos muitos os que não gostamos de brincar com coisas tão sérias, sobretudo com um governo do Partido Socialista!

Ana Benavente
Professora universitária, militante do PS
In: Jornal "Público" 2/12/07



domingo, novembro 11, 2007

Descansem em Música

Este ano o mundo da música perdeu duas personagens de superior significância, para mim. Não sei se vale a pena falar sobre o percurso de Max Roach, pois para quem o conhece, as apresentações são desnecessárias. Para quem não o conhece...................conheça-o! Falo-vos da minha experiência pessoal, para não cair em redundâncias sobre a carreira dele.
Quando menos esperamos, a vida presenteia-nos com inesperadíssimas surpresas, e foi o que me aconteceu, quando em 1995, o Luís Hilário do Hot Club de Portugal me telefonou a perguntar se eu estaria disponível para um seminário/concerto, integrado no festival Jazz em Agosto, na Fundação Gulbenkian. Estavamos às vésperas do meu aniversário. Disse-lhe que sim, que estava disponível, mas que me desse mais detalhes. Então lá me explicou que nesse ano o festival iria homenagear Max Roach, e que o mesmo pediu que se formasse um colectivo de bateristas e percussionistas, um pouco à semelhança do grupo M'Boom, que ele dirigia desde princípios dos anos 70. Senti as pernas a fraquejar, e a adrenalina a subir como um foguete. Max Roach? O Max Roach? Aquele que escreveu várias páginas da história do jazz, junto a nomes como Charlie Parker, Charles Mingus, Dizzie Gillespie, Miles Davis, e tantos outros? Esse Max Roach? Por momentos pensei que estavam a gozar comigo, no entanto lá fui eu no dia indicado, na hora indicada para a Fundação Gulbenkian, onde me encontrei com vários colegas, uns mais íntimos do que outros. Não me vou esquecer nunca do momento em que Max Roach entrou na sala, e eu senti como a sua presença encheu aquela sala. Durante os 3 dias que trabalhámos, foi inacreditável aquilo que produzimos, e eu pessoalmente estava abismado com as coisas que me iam saindo. Num dos temas, Max decidiu pôr-me à frente, dando a entrada de um tema com o meu djembé. O concerto do Colectivo Português de Percussão, dirigido por Max Roach, foi um êxito, e desse colectivo nasceu o grupo Tim-tim por Tum-tum, do qual eu já não fiz parte. Um ano e tal mais tarde voltei a ver Max Roach, num extraordinário espectáculo a duo com o bailarino e coreógrafo americano Bill T. Jones. Fui o único do colectivo a apresentar-se ao espectáculo. No final, ainda de queixo no chão do que acabava de ver e ouvir, fui ao camarim cumprimentá-lo, e timidamente perguntei se ainda se lembrava de mim. Ele sorriu e disse "Ah! Mister Djembé Man!". Foi a última vez que o vi. Para ele fiquei o mr. Djembe Man, mas ele para mim ficou como um encontro místico, muito mais além da música.

O mesmo que disse sobre as apresentações de Max Roach, digo também de Joe Zawinul. E remeto-me de novo à minha experiência pessoal. Foi há dois anos, no verão, durante o festival El Grec, que mal vi na programação que estaria o Zawinul Syndicate, fui logo a correr comprar o bilhete, e fiquei logo nas primeiras filas, num extraordinário teatro grego daqui da cidade. Sobre o concerto, continuo na mesma, como expliquei em "posta", naquela época, sem adjectivos para qualificar. Digamos que poderei dizer aos meus netos que eu vi Joe Zawinul ao vivo. E não só o vi, como fiquei a fazer figura de fan, esperando que o homem saísse para lhe dar um abraço e lhe agradecer por tantos anos de boa música, e de inovação. Fica-me na memória uma frase que lhe ouvi uma vez numa entrevista: "Creio em Deus, mas confio na inteligência que está por detrás do instinto"


Tanto Roach como Zawinul foram dessas figuras que vão de catana à frente, abrindo os caminhos da creatividade e da inovação, para nos deixarem referências, reflexões e pistas a seguir. A estes dois e a alguns poucos mais, tenho-lhes a agradecer terem-me ensinado que mais importante que ser músico, é ser MÚSICA! Mas seguramente, se Deus os chamou, foi para os ouvir tocar!!!

quarta-feira, setembro 19, 2007

Ser ou não ser...............evidentemente, a grande questão

Num pacotinho de açucar li a seguinte frase que acho que merece ser partilhada

"Não tentar algo com medo ao fracasso, é como suicidar-se com medo de morrer"

quarta-feira, agosto 29, 2007

segunda-feira, agosto 27, 2007

Fui ver o sol nascer no mar



Fui ver o sol nascer. Farto de estar vazio, senti necessidade de que alguma coisa enchesse e fui ver o sol nascer. Depois de 4 dias sem sair de casa, imerso em mim mesmo, arrastei o corpo pesado para cima da minha bicicleta, desci a rua (tenho o previlégio da praia estar no fim da rua), e fui ver o sol nascer no mar. Para trás deixei o meu quarto, onde me enfiei qual gruta. A mala ainda por desfazer há quase 2 semanas, a desordem de objectos e papéis um pouco por toda a parte, reflexo da minha cabeça. Fui ver o sol nascer no mar. Na esperança que um ou o outro me dessem respostas às minhas perguntas. Ou nem isso, nem é isso o que eu queria, apenas queria sentir-me abraçado. Pensando no abraço veio-me à cabeça a terna memória do abraço do meu filho, o qual tão cedo não terei. Nem poderei chegar ao seu quarto, e enquanto ele dormir, passar a minha mão pelos seus cabelos e face, como tantas vezes o fiz. Tentei imaginar que a luz que o sol começava a despontar me abraçava os olhos, que o marulhar do mar me abraçava os ouvidos, e que o calor e a maresia me abraçavam o corpo com braços de seda. E com o olhar pendurado no horizonte a levante, deixei a cabeça esvaziar, e as memórias desfilarem como um filme, emocionando-me e comocionando-me, como se saíssem de mim para o infinito. Já quisera eu! Que essas memórias me abandonassem, nem que fosse por umas semanas, mas eu sei que não. Seguirão desfilando perante os meus olhos, tão reais que quase posso tocá-las, desfilando como uma projeção de slides animados, com cheiros, toques, aromas, calores, humores e amores. Seguirão suspensas na minha mente, como essa bola de fogo suspensa no horizonte à minha frente. Apertado o meu pescoço no dramatismo lusitano, ao qual não posso escapar, o sol acaba de nascer. E diante de um espectáculo assim, a violenta beleza que espraia à minha frente estrangula-me até quase ficar sem ar, os olhos embaçam-se, o meu corpo amolece, e ouço-me dizer: "Tudo isto é triste! Tudo isto existe! Tudo isto é fado!"

terça-feira, agosto 21, 2007

A quem lhe concerne

A insensatez, que você fez, coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor o seu amor, um amor tão delicado
Ah, por que você foi fraco assim, assim tão desalmado
Ah, meu coração, que nunca amou não merece ser amado
Vai, meu coração, ouve a razão, usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão, colhe sempre tempestade
Vai, meu coração, pede perdão, perdão apaixonado
Vai, porque quem não pede perdão, não é nunca perdoado


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


Vinicius de Moraes

domingo, julho 22, 2007

Pode ser???

Nas minhas meditações, talvez tenha encontrado o motivo pela desconfiança com que sou ou fui por vezes olhado. Normalmente o ser humano vive numa busca intensa e incessante pela coerência. Para que as coisas tenham sentido na sua vida. Assim, nessa busca por coerência tenta analisar os seus valores, aquilo em que acredita ser o certo e o errado, e ver se eles se ajustam à sua maneira de actuar. Normalmente a tendência é a de ajustar os valores à margem possível da maneira de actuar. Eu faço exactamente ao contrário! Por isso sou maluco, não sou normal. Mas como já foi aqui dito, acredito que a normalidade é um dado estatístico, pois quanto mais pessoas haja a agir de determinada forma, mais normal se torna. Portanto a normalidade é tão discutível como outra coisa qualquer, inclusive a inovadora teoria da relatividade do Eistein está a ser questionada. E agora pergunto, não é esse desvio da normalidade que, como dizia o António Gedeão, faz com que o mundo pule e avance? Não é esse questionamento, e até auto-questionamento que faz com que "o sonho seja uma constante da vida". E os sonhos só são para ser sonhados, ou são para ser realizados? Ou pelo menos que se tente realizá-los? O céu é o limite! E se acontecesse só aos outros, como é que o mundo se moveria?

Continuo a achar extremamente difícil sair da idade dos porquês

quarta-feira, junho 20, 2007

(quase) Sem Palavras

Meus queridos, fieis e exigentes leitores. Muitas têm sido as manifestações de carinho e apoio para que a Burra volte a dizer de sua justiça. A todos agradeço do fundo do coração, tais manifestações de apreço pelo que gatafunho por aqui fora. No entanto, a Burra está a passar por um desses seus periodos de contemplação e meditação. Porque para falar do mundo, e das suas coisas, há que contemplá-lo. Mas para que não fiquem em seco, deixo-vos algo que eu achei para que possam (ou não) contemplar.
Um beijinho com carinho




quarta-feira, abril 25, 2007

Para Sempre?????


Faz hoje 33 anos desde a nossa última grande oportunidade de ser um país a sério, fiel a ele mesmo, ao seu povo, e às suas origens, e senhor do seu destino. Os resultados cada um que julgue por si. Eu tentei fazer a parte que me cabia e tive que me vir embora.

terça-feira, abril 24, 2007

R.I.P. Nico Assumpção

Não sou muito de obituários, mais a mais com anos de atraso. Mas deparei-me com este video de um amigo desaparecido. Vem-me à memória a noite em que nos conhecemos, em S. Paulo, no Tom Brasil, depois de um show do João Bosco em trio com ele e com o Robertinho Silva na bateria. Eu ainda a tremer dos pés à cabeça por ter assistido a um milagre: um trio a soar como um sexteto! Depois foi noite fora, jams, copos, conversas várias até de manhã. A segunda vez que o vi, foi em Lisboa, no final do concerto de apresentação do disco "Chorinho Feliz" de Maria João e Mário Laginha, no teatro Camões. A alegria do reencontro, os abraços do lado de cá do Atlântico. Pouco tempo depois soube, completamente chocado, da sua morte. Nico Assumpção foi um cometa que passou por este mundo, e maravilhou todos os que o conheceram e viram ou ouviram tocar. Numa época em que toda a gente fica embasbacada com os músicos americanos, saibam que houve muitos deles que ficaram de joelhos ao ouvir o Nico a tocar! E o caso não era para menos! Poucas vezes vi um músico fazer da sua alucinante técnica, um veículo tão eficaz para a sua musicalidade. Eu acredito piamente que se Deus o chamou, foi para o ouvir tocar o seu baixo! Muita saudade!


domingo, abril 22, 2007

Ideias

A democracia e a república foram inventadas pelos gregos há milhares de anos atrás, e pelo vistos as coisas não deram lá muito bom resultado (já naquela altura!). As teses do socialismo e do comunismo datam do século XIX. As ditaduras, já por si inspiradas nas monarquias absolutistas, tiveram o seu auge nos anos 30/40 na Europa (as ibéricas tiveram mais aceitação até mais tarde), e as sulamericanas mais tarde no século XX. Alguém tem mais alguma ideia “nova”? Ou chegou a altura da gente começar a inventar?

quinta-feira, abril 19, 2007

Defesas

Os americanos vivem numa paranoia permanente dum qualquer perigo eminente. Vivem tão paranoicos com isso, que passam a vida a atacar o resto do mundo, preventivamente, dizem. Penso que aqui há dias ficou bem claro, como tinha ficado claro em Columbine, que a única ameaça real da qual eles se têm que defender é deles mesmos. O resto do mundo agradeceria imensamente!

quinta-feira, abril 12, 2007

Silêncio

A velocidade que emociona, é a mesma que mata
O sorriso antigo, agora é lágrima barata
A vida não pede licença, e muito menos desculpa
O perdão é o que possibilita o nascimento da culpa
E assim, viajando pelo mundo sem fim
O silêncio planta seu jardim
Tudo se compõe, e se decompõe

Paulinho Moska

quinta-feira, abril 05, 2007

Outras Couves



Cansada das mesmas couves galegas, e das de Bruxelas (principalmente essas, que são muito pequeninas, sovinas, e sem graça nenhuma), a Burra pasta agora, temporalmente, por outras paragens em busca da couve mineira, principalmente se acompanhada de uma boa feijoada "compreta"! Com direito a carne seca, paio e o cacete. A praia está bem e recomenda-se, e o calor, também. Como parece que o inverno veio atrasado, a Burra armou-se em andorinha e literalmente voou para o sul. Beijos e abraços e outras manifestações de afecto.

terça-feira, março 20, 2007

Modelo Primavera

Sempre coquete e atenta às novas tendências, a Burra oferece-se agora neste novo modelito primaveril aos seus estimados leitores. Verdejante de esperança, de frescura e elegância, ainda que lá fora uma frente polar teime em manter-nos os casacões e as camisolas de lã.

Porquê? Porquê? Porquê?

Quanto tempo mais iremos viver na escravidão da infantil ideia do bem e do mal? De católicos e muçulmanos, de negros e brancos, de homens e mulheres, de amores e ódios, de primeiros-mundistas e terceiros-mundistas (onde andam os segundo-mundistas, existem?), de deuses e diabos, de fitness e feijoada, de benfiquistas e sportinguistas, de esquerdistas e conservadores, de cães e gatos? Será tão difícil e tão improvável alguém pensar que as diferenças apenas residem naquilo que gostamos e naquilo que não gostamos? Será tão difícil e tão improvável alguém pensar que as coisas, os animais e as pessoas apenas são aquilo que são, sem que o bem e o mal tenham alguma coisa a haver com isso? Quer nos seja conveniente ou não? Porque é que até nós próprios temos a necessidade de nos qualificar como boa ou má pessoa? E muitas vezes anulamos a nossa própria essência, e tentamos parecer-nos a um qualquer modelo que esperam que sejamos? Porque temos tanta necessidade que os outros gostem de nós? Porque não gostamos de nós próprios o suficiente? Ou porque esse amor-próprio só tem validade quando corroborado por terceiros? Porquê tanta ansiedade e tanto medo, se no fim todos vamos morrer? Porque as pessoas estão sempre mais preocupados em ter e parecer, do que ser? Porque é que temos que ter sempre respostas para tudo? Porque é que eu faço tantas perguntas? Será que com esta idade ainda não saí da idade dos porquês? Ou é porque estou com insónias?


Se penso, logo existo, o melhor é deixar de pensar tanto, para ver se em vez de só existir, começo a viver! E que o Descartes vá levar na bilha!

domingo, março 11, 2007

Alguém Se Lembra?



O meu pai sempre me disse que o povo tem memória curta. Foi há 32 anos! Ele e a minha mãe estavam fora do país havia 3 dias. Eu lembro-me! Sozinho com a minha avó, vendo aviões de combate a passar de um lado para o outro, e sem saber notícias dos meus pais. Na televisão Spínola fugia, e Vasco Gonçalves triunfava. Em menos de um ano iria virar o país de cabeça para baixo, e quase provocou uma guerra civil, junto aos seus camaradas do Partido Comunista. Alguém se lembra? Eu lembro-me. E ainda me lembro que não há muito tempo veio a lume a estória de documentos confidenciais do governo português dessa altura, foram encontrados na KGB, em Moscovo. E as descolonizações que mais não foram que fugas, deixando os futuros países à sua sorte! E as nacionalizações compulsivas! E os saneamentos compulsivos! Alguém foi acusado formalmente de alta traição? Os brandos costumes reinam impavidamente! Além disso, muito confortavelmente, já se remete estas coisas todas para a história. Isso é história, dizem-me! Vergonhosa, mas história! Pois eu vivi essa história, e nessa altura, como pretenso "filho da revolução", prometeram-me um futuro risonho, para mim, e para todos! Esqueceram-se de me dizer que não era no meu próprio país. A propósito de futuro risonho, há aí alguém desse lado a rir-se? Não, é só para saber!





Nota de redação: Depois de escrever esta posta, dei-me ao trabalho de espreitar os sites de Diário de Notícias, Expresso, Correio da Manhã, Público e Visão. Todos eles tinham como primeira página o 3º aniversário dos atentados de Madrid, que eu também vivi intensamente, com a sorte de estar a 650 km dos acontecimentos, mas à mesmíssima hora dos acontecimentos, eu ia trabalhar num comboio igual àqueles que explodiram, o que não deixou de ser uma experiência arrepiante para mim.

No entanto, relativamente ao 11 de Março de 1975, apenas a Visão dedica um slideshow de fotos da época. Eu pergunto-me (e pergunto ao caro e paciente leitor destas páginas) como é que isto deve ser interpretado?

quarta-feira, março 07, 2007

Rentabilitate!

Oh! Not aGain!

Outras Notas Ganhas

hOje braNcos enGanam

sacamos nOta a quem Não tem baGo

vivemos à cOnta dos toNtos enGanados

neO-coloNialismo de tanGa

VivemOs à graNde, Gamando os pobres

Os Nossos Gandulos

Outro coNto do viGário

(Apaziguando as nossas consciências de uma maneira rentável. Faça já o seu donativo)

domingo, março 04, 2007

Penso........................Rápido?

Falar e escrever são maneiras de comunicar com os outros. Em alternativa, mandar sinais de fumo, pombos correios, piscadelas de olhos, acenos com lenços, linguagem gestual, Pictionary.

Pensar é comunicar connosco próprios? Será? Assim sendo, porque é que há tanta gente que não comunica com eles mesmos?


Penso, logo insisto?
Penso, logo isto?
Ou penso logo um quixto?
E existo, ou sou produto da minha própria imaginação?
Lenço, golo e pisto?

Logo penso nisto!

sexta-feira, março 02, 2007

Facilidades & Impossibilidades

"A facilidade de falar, tem a ver com a impossibilidade de estar calado"


(não sei quem é que disse)

Normalidade, ou a Guerra dos Sexos

Os homens são todos iguais”, “as mulheres são todas iguais”. Segundo George Orwell, os animais são todos iguais, mas há uns que são mais iguais do que outros. No entanto, toda a gente nasce da mesma maneira. De um homem e de uma mulher. Mas, então...........................e os gays e as lésbicas? Ok, reformula-se, nem todos os homens são iguais, nem todas as mulheres são iguais. Quando muito jovens, os homens e as mulheres têm o primeiro grande teste de sobrevivência em sociedade: ser aceite pelos seus pares. Os miúdos pelos miúdos, e as miúdas pelas miúdas. Um miúdo que se dá com miúdas é mariquinhas (nem que seja a própria irmã). Uma miúda que se dá com rapazes é uma maria-rapaz (nem que seja o próprio irmão). Quem não corresponde às expectativas do grupo é cruelmente excluído (é sabido o quão crueis podem ser as crianças). Os anos passam, um rapaz que se dá com raparigas tem saída. Uma rapariga que se dá com rapazes anda saída. Anos mais tarde, um homem que se relaciona maioritariamente com mulheres é gay. Uma mulher que se relaciona maioritariamente com homens é puta. Os excluidos, os eternamente excluidos eventualmente encontram o seu caminho para a felicidade. Caminho esse que acredito que seja o primeiro direito/dever que temos para connosco próprios, homens ou mulheres. Mas dos excluidos já muito se falou e fala. E acerca dos incluidos? Para os incluidos tudo é normal, vivem dentro da normalidade, e actuam em coerência com aquilo que aprenderam dentro dos seus grupos, os homens com os homens, e as mulheres com as mulheres. Mas se ainda não foi notado, a normalidade é um dado estatístico. Quanto mais pessoas houver a actuar de uma mesma maneira, mais normal se torna. Quando foi “legalizado” o divórcio (sim, o divórcio já foi um dia ilegal, tanto como o aborto, e as drogas leves), os primeiros divorciados sofreram um ostracismo atroz da parte dos seus pares. Hoje, têm a compaixão da sociedade, tornou-se portanto, normal. Portanto, passado o primeiro embate de uma nova atitude perante a sociedade, e aguentados todos os insultuosos ataques da mesma, a quantidade de aderência a essa nova atitude, determina se ela passará a ser normal, ou não. Mas voltando à normalidade dos incluidos na sociedade, pergunto-me se essa normalidade tem alguma conotação com a verdade. Porque como dizia Göebbels, o chefe da propaganda nazi do III Reich “Uma mentira repetida muitas vezes, torna-se verdade”. Normalidade igual a verdade? Primeiro dizem-nos que fumar é estar na moda, e quando toda a gente fuma, dizem-nos que provoca o cancro. Primeiro dizem-nos que temos que ganhar muito dinheiro para comprar muita coisa, e agora dizem-nos para não ser tão consumistas porque estamos a esgotar os nossos recursos naturais. Normalidade igual a verdade? Então porque é que a maioria dos homens não percebe nada de mulheres, e a maioria das mulheres não percebe nada de homens? Porque é que as mulheres esperam que todos os homens se comportem de uma mesma maneira, e logo se queixam que eles são todos iguais? Porque é que os homens esperam que as mulheres se comportem todas da mesma maneira, e logo se queixam que elas são todas iguais? Não é isso que é pretendido à partida quando excluem do seu ciclo aqueles que não são normais, sejam gays, lésbicas, ou simplesmente que não se identifiquem com posturas sexistas? Só estou a perguntar, mais nada! Não se enervem!

Ou será que nos sentimos mais seguros connosco próprios quando nos sentimos melhores do que os outros? E na impossibilidade de elevar-nos acima dos outros, cortamos-lhes as pernas, e mandamo-los para baixo, como tão bem o ilustram as anedotas cretinas sobre pretos, ciganos, alentejanos, louras, judeus, tripeiros, lisboetas, brasileiros, portugueses, americanos, ou o que seja que esteja na moda?

Desengane-se quem pensa que com a idade ficamos mais tolerantes à diferença: é mentira! Não ficamos mais tolerantes, ficamos é mais cínicos, isso sim. Como as jovens famílias de classe média daqui, que não deixam os filhos irem brincar para a rua com as outras crianças imigrantes, mas adoptam uma criancinha do 3º mundo, para mostrar aos amigos o quão mente aberta são. Francamente, isto anda a tocar as raias da esquizofrenia colectiva. Depois eu é que sou maluco! O Tom Zé (procurem no Wikipedia ou no Google quem é, se vos interessar) tem uma frase que eu acho fantástica: “Faça as suas orações 3 vezes por dia, depois mande a sua consciência junto com os lençois para a lavandaria”

Mas estávamos a falar de pessoas normais. De homens normais para quem a mulher perfeita deve ser uma mistura entre uma mãe e Angelina Jolie. De mulheres normais para quem o homem perfeito deve ser uma mistura entre pai e Brad Pitt. Qualquer coisa de errado se passou com as mães desses homens, e os pais dessas mulheres, penso eu.

Quantas vezes, depois de estar a falar com uma amiga minha, não tive que ouvir a fantástica frase, que me deixava sempre mudo e quedo: “Ouve lá! Andas a comer aquilo??” Ao ouvir esta frase vinha-me sempre o suave calor carinhoso de um pelotão de skinheads de botas cardadas a passar por cima de mim e da minha amiga.

Eu confesso! Sou homem, sou heterossexual, já passei o que as pessoas normais chamam “a barreira dos 40”, e talvez por isso eu esteja em crise, e precise da vossa ajuda. Alguém me explica o que é, e como é ser normal? É que por vezes tenho um pesadelo horroroso, em que eu e uns quantos amigos meus, somos enfermeiros de um gigantesco hospício chamado normalidade.

Pessoalmente sempre tive fracas esperanças na minha condição de pessoa normal, mas depois de ler o Cântico Negro do José Régio, foi mesmo tudo por água abaixo, e vi-me ao espelho pela primeira vez.

Um muito querido amigo meu, tem duas frases que me serenizam a mente:

1- “Cada um tem que cumprir o seu destino”

2- “Isso não tem importância absolutamente nenhuma”

Bem hajas, João

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Dúvida Metódica

Continuo a verificar com enorme prazer e carinho que aquilo que escrevo ainda é lido, e seguido, e perseguido, e até apreciado, embora só alguns de vocês se atreva a um comentário, que é sempre benvindo. Sinto uma festinhas carinhosas no ego quando alguém me pede mais constância na escrita. No entanto, ao reler as minhas postas passadas, verifico que na maior parte das vezes apenas dou largas à minha veia contestatária, ou por outras palavras, ao meu mau-feitio, tentando dar largas à tradição medieval das cantigas de escárnio e mal-dizer, que os portugueses em geral são tão exímios, e eu não escapo à regra. Mas também verifico que essas postas são resultado do meu contacto com o mundo real, ou seja, de cada vez que me dá por pôr a cabeça fora do meu casulo, e passear os olhos pelas parangonas dos media, que continuamente me põem mal-disposto. Mas isso passa-se cada vez menos, pois como eu estou ciente do constante bombardeio de informação inútil que os média tão laboriosamente nos porporciona, escudo-me cobardemente, evitando qualquer contacto. A saber, não ouço rádio, não leio jornais (excepto as gordas quando passo por algum quiosque), nem mesmo os gratuitos, e apesar de várias petições do pessoal cá de casa em ligar a antena, a televisão só me serve para me deleitar com um bom filme ou um bom concerto, quando o tempo disponível o permite. Pode ser uma cobardia, mas sinto-me mais feliz assim. Até porque cada vez que tomo contacto com as notícias, verifico que não são novas, são as mesma de há 30 anos, apenas mudam os protagonistas e os cenários. O poder continua igual a si mesmo, e a comportar-se de acordo com aquilo que serve e que cultiva (ele mesmo, e não os cidadãos), os americanos continuam a semear vietnames pelo mundo fora, o povo continua oprimido directa ou indirectamente, visível ou invisivelmente, enfim, como se costuma dizer, tudo na paz do senhor.

E deste ponto de vista, questiono-me a mim próprio sobre o que ando para aqui a escrever durante este tempo todo. Eu que fujo a 7 pés da redundância e da vulgaridade, caio nelas pondo-me para aqui a escarrar o meu mau-feitio, como se fosse numa qualquer taberna de bairro, entre copos de três e sandes de courato. Será que isso me alivia, e me faz sentir melhor comigo mesmo? Sinto-me melhor pessoa por condenar o que está mal, e elevar o que está bem? É possível que sim, mas não me eleva acima da vulgaridade nem da redundância, nem eleva este blog a mais do que uma sanita das minhas excreções mentais, ainda por cima desprovida de autoclismo. Também nunca pretendi que isto fosse um “diário de exílio”, o que então já seria de vomitar. Primeiro porque não estou exilado, e segundo porque me estaria a desrespeitar e aos que me lêem, puxando ao sentimento barato da peninha do rapaz que teve que ir lá para fora lutar pela vida. Eu não luto pela vida, eu tento vivê-la. E na vida há um tempo para tudo! Como dizia a Banda do Casaco na capa do seu excelente último album, “Há mesmo um tempo para que os tempo se voltem a encontrar”. E nesta altura da minha vida, em que estou, é o meu tempo de sentir. Tenho muita coisa em quantidade, qualidade e dimensão para sentir, coisas até muito maiores do que eu, que estou a tentar assimilar da melhor maneira possível. Não é um tempo para explicar seja o que for, nem que seja por um mero impulso verborreico, de quem tem dificuldade de estar calado. É tempo de contemplação, interior e exterior. Delicio-me visitando os blogs de amigos, conhecidos e desconhecidos, como se os fosse visitar às suas casas. A minha, de momento, anda em obras. Por isso a constância da escrita não tem sido lá grande coisa, porque também não tenho grande coisa para dizer. E apesar de todo o respeito e admiração que vos tenho, não me permito tornar-me escravo da vossa leitura. Prefiro neste momento ler e ouvir pessoas que têm na verdade alguma coisa para dizer. A Burra está em dúvida metódica, quando for altura e oportuno zurrar alguma coisa, já se fará notar.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Orgulho & Vergonha

A situação que me põe sendo de uma nacionalidade, pode ter muito a ver comigo ou não. Conheço pessoas que têm nacionalidade portuguesa, e além de nunca terem pisado Portugal, não fazem a mínima ideia do que lá se passa. No meu caso é diferente, depois de quase uma vida inteira a viver no nosso quintal (como eu gosto de lhe chamar), quer eu queira ou não, sou mesmo português. E isso revela-se quando estupidamente me emociono por uma vitória da nossa seleção, numa atitude extremamente piegas, mas também com o desprezo que tenho em geral pelas instituições portuguesas (salvo honrosas excepções), que no meu entender prestam um fraco, ou mesmo péssimo serviço aos cidadãos e ao país.

Veio ao meu conhecimento o caso do sgtº Luís Matos Gomes, e do caso de tribunal de que, segundo o que me parece, foi vítima! Depois de me tentar enteirar do que se passou, não posso deixar de sentir um orgulho grande de ser da mesma nacionalidade que esse homem, e uma profunda vergonha de pertencer ao mesmo país do tribunal que o condenou, nomeadamente da juíza Fernanda Ventura. E assim somos, como dizia o Agostinho da Silva, um povo contraditório. E é assim que querem que as instituições ganhem o respeito e a confiança dos cidadãos? Acho que deveriam rebaptizar o Ministério, para Ministério da Injustiça, e falar da Injustiça Portuguesa, e dos seus pomposos, ineficazes e facciosos juízes. Por mais lei que a lei seja, se não contempla a humanidade, não serve nenhum povo, nem nenhum país.Tenho dito!

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Eleições???

Pelo menos desta vez, os partidários do sim não pensaram que era favas contadas, e não foram para a praia, como da última vez. No entanto, foi coincidência, ou uma casualidade cósmica, que os partidários de ambas as bandas, são menos de metade da população votante? E ó senhores partidários do não, por favor vejam lá se pelo menos têm a decência de apresentar novos argumentos!!! É que esses já cheiram muito a bafio! Ah, e só mais uma coisa, não é para vos cortar o argumento, mas parece-me que aquilo que se votou não foi se estavam de acordo ou não com o aborto, mas sim a possibilidade e o direito de alguém o fazer ou não, conseguem ver a diferença? Ou quando for o referendo da eutanásia, também vão dizer que se ganhar o "sim", o pessoal vai destatar a suicidar-se? Não, é só para saber, só estou a perguntar!!!

sábado, fevereiro 10, 2007

Para Não Dizerem Que Ando Calado

O grande erro de todas as ditaduras, foi deixar o povo na mais absoluta miséria, pensando que quem nada tinha, nada poderia fazer. Esqueceram-se de que também nada tinham a perder, e era essa força que o povo tinha para lutar contra as ditaduras, inúmeras vezes pagando com a prória vida. A democracia veio corrigir esse pequeno detalhe

domingo, janeiro 07, 2007

Feliz Ano Novo, Feliz Aniversário



Um dos meus gurus fez 60 anos em 2006. Este video não é grande coisa, mas dá para ter uma ideia da arte de João Bosco, que tive o previlégio de conhecer pessoalmente em S.Paulo, em 1998, quando ainda todo eu tremia de emoção do concerto dele que eu tinha presenciado no Tom Brasil. Na altura só se fazia acompanhar de Robertinho Silva na bateria, e do infelizmente desaparecido Nico Assumpção no baixo. Depois do concerto, das fotos e dos autógrafos todos recolheram à base, menos o Nico que veio connosco para a borga. Um luxo!
Consegui vitoriosamente comprar o último dvd que restava na FNAC, do concerto comemorativo dos 60 anos do João Bosco, com esta mesmíssima banda. Fora do Brasil são todos mais ou menos desconhecidos, salvo o percussionista Armando Marçal, que fez parte da que talvez tenha sido a melhor formação do Pat Metheny Group, e que colaborou no disco "Chorinho Feliz" de Mário Laginha e Maria João.
Toca a curtir o som!