terça-feira, julho 31, 2018

A Estimação dos Animais

Oh pá, eu adoooro animais

Eu também, gosto muito de animais

Eu tenho dois gatos e um cão, e tu?

Eu não tenho animais

Mas não disseste que gostavas de animais?

Por essa mesma razão é que eu não tenho animais

Não percebo

Tu disseste que tens dois gatos e um cão, certo?

Certo!

Os gatos são os dois machos?

Sim, são os dois machos

E estão castrados?

Claro! Então se não fosse assim, desapareciam e urinavam por todo o sítio, e miavam
imenso quando estivessem com o cio

E vives no campo ou num apartamento?

Num apartamento.

E o cão? Pode andar por onde quer?

Dentro de casa, claro que sim!! E levo-o a passear pela manhã e pela tarde. Muita gente só os leva a passear uma vez por dia. Eu trato muito bem dos bichos, como te disse, adoro animais. Estão todos vacinados e dou-lhes imensos mimos. Mas não estou a perceber o que isso tem a ver com o facto de tu também gostares de animais e não teres nenhum. Como é que não teres nenhum animal é razão demonstrativa para gostares de animais?

É que eu não olho para os outros animais como coisas diferentes e distantes de mim o suficiente para os possuir, para os ter, para ser dono deles. Eu também sou um animal, diferente deles, mas em nada superior ou inferior, dado que partilhamos grande parte da nossa biologia, e o mesmo planeta. Sinceramente, não considero que encerrar animais dentro da minha casa, apenas com ordem de soltura controlada (na melhor das possibilidades, duas vezes por dia), castrá-los para minha conveniência, seja sinónimo de gostar deles. Na minha maneira de gostar de animais é começar por respeitar a sua liberdade (e integridade física, obviamente), como eu gosto que respeitem a minha. Se eles acharem por bem estar na minha companhia, é uma escolha deles, e não uma obrigação que lhes imponho.
Acho sinceramente que “ter” animais (por muito bem tratados que eles sejam) não é sinónimo de gostar dos animais. É sinónimo de gostar daquilo que os animais proporcionam, o que é substancialmente diferente.

É essa a opinião que tens das pessoas que têm animais? Achas que isso não é normal?

Eu não disse qual era a minha opinião acerca das pessoas que têm animais. Eu expliquei a razão pela qual não ter animais é a minha maneira de gostar deles. Depois, tenho a dizer que a normalidade é um dado estatístico, por conseguinte quantas mais pessoas concordarem com dado procedimento, mais normal se torna. Mas a normalidade não torna o procedimento certo, por ser normal.

Quer dizer, tu tens a arrogância de achar que os milhões de pessoas que têm mascotes pelo mundo fora, estão erradas?

Acho que os milhões de pessoas pelo mundo fora têm a arrogância de se achar superiores aos animais que têm como mascotes, ao ponto de dispôr da sua liberdade, e da sua integridade física, para sua comodidade e prazer, e acharem isso normal. Penso que haverá um termo clínico para esse tipo de desvio psicológico.

domingo, junho 20, 2010

Alguém explique ao homem, por favor!

Goivanni Papini no seu livro "Relatório sobre o Homem" disse, e com muita razão, que uma das vantagens de ser néscio, é que não se tem a consciência de que se é! Portanto, haja alguém que tenha a paciência de com tempo e algumas ilustrações, explicar ao sr. Silva que o cargo para o qual foi eleito não é para envergonhar a república da qual é presidente, nem o povo que representa, e sim todo o contrário: dignificá-lo e elevá-lo. E que, no exercício dessas funções, que não têm horário, nem fins-de-semana, não existe espaço para os seus gostos e desgostos pessoais, muito menos para birras de menino malcriado. E que a maioria dos portugueses se levanta todas as manhãs para trabalhar (os que têm trabalho, obviamente), gostem ou não, e que através desse trabalho pagam impostos, e uma parte deles serve para lhe pagar o ordenado, e as mordomias inerentes, inclusivamente a viagem que o levou aos Açores, tenha ela sido paga com as mordomias ou com o ordenado.
Se isso consiste demasiado esforço para o sr. Silva, então o melhor seria despedir-se. Ser presidente da república é estar apto para dignificar e elevar o nome de Portugal e dos portugueses. Ou seja, exactamente o que fez José Saramago sem nunca ter sido presidente, e sem que ninguém lhe pedira. E numa dimensão que nem nos seus sonhos mais selvagens o sr. Silva poderia almejar.
Portanto, se o sr. Silva não está à altura de honrar o cargo para o qual foi eleito, o mais digno talvez seja voltar para o Poço (de Borratém), e deixar o cargo livre para alguém com competências para o efeito. Eu sei que é pedir muito a um mentecapto obtuso, a quem um dia houve alguém que teve a triste ideia de dar poder, mas pedir não custa. Vá lá! Alguém que se anime, e vá lá esclarecer o homem! Senão, não passamos disto, e o homem vai passar a vida toda enganado, pensando que é o rei do mambo!! Já viram bem a vergonha que estamos a passar diante de todos os digntários estrangeiros que vieram despedir-se de Saramago, e o homem não estava lá? Isso porque ninguém lhe explicou bem que as coisas não são como ele pensa, ou quer! Vão lá, e levem muitas ilustrações, senão ele vai-se aborrecer, e não perceber patavina. Ah, e tratem-no sempre por sr. presidente ou sr. professor que ele gosta é disso, e de outra maneira não estará receptivo a nada. Vá lá!

Saramago e os Protozoários

A Burra quebra o seu silêncio de mais de um ano e meio, para fazer uma humilde e devida vénia de despedida ao génio do escritor José Saramago. Foi, é e será sempre uma figura incontornável do património cultural da humanidade. Muitos podem considerar o seu falecimento como uma grande perda, mas eu que não sou tão egoísta, prefiro pensar que a sua existência foi e é uma grande riqueza para todos nós.
Apesar de grande admirador da obra do escritor, nem sempre estive de acordo com o homem público e com as posições por ele tomadas, mas admirei e admiro a coerência férrea entre as suas opiniões e os seus actos.

Tristemente, a morte de uma figura como Saramago é sempre envolvida em polémica pelos que cá ficam, e principalmente pelos poderes políticos, que de uma maneira ou outra, quais aves necrófagas, sempre tentam tirar algum dividendo da situação. A polémica desta vez veio de antigas questões entre Saramago e o actual presidente da República, Cavaco Silva, e do seu ex-secretário de estado Sousa Lara, quando no princípio dos anos 90 vetaram o livro "O Evangelho segundo Jesus Cristo". Cavaco Silva não prestou homenagem na câmara ardente (espera-se que vá ao funeral), e Sousa Lara diz que voltaria a vetar o livro. Ora, é certo e sabido que os homens políticos primam na grande maioria das vezes pela estreiteza das suas ideias, o que não seria de muito incómodo se não fosse pelo poder que detêm para pô-las em práctica. Além desse estreiteza de ideias (que no caso das figuras supra citadas roçam o obtuso), têm deveres para com as maiorias que os elegeram, o que infelizmente põem acima dos deveres inerentes aos cargos que detêm, e para com a população no seu total. Já várias vezes referi que as maiorias nunca têm razão, e que os poucos avanços sociais e culturais da nossa sociedade se devem à tenacidade de estoicas minorias, mas parece que isso é muito fácil e confortável de esquecer.
Politicamente, José Saramago representou o oposto disso, e não foram poucas as vezes em que entrou em rota de colisão com o próprio partido pelo qual era eleito.
Quando "bateu de frente" contra os protozoários culturais que vetaram o seu livro, auto-exilou-se em Lanzarote, nas ilhas Canárias, onde viveu até falecer, na passada sexta-feira. No entanto, e isto é bom de salientar, Saramago manteve a sua residência oficial em Portugal, e continuou a declarar e a pagar os seus impostos em Portugal. Eu já não posso dizer o mesmo, embora comungue do sentimento que o levou às Canárias.

Foi ateu confesso e militante dizendo que todos os dias procurava sinais de deus, mas não os encontrava. Além disso, também se confessava anti-religioso, dizendo que as religiões embaceavam a visão das pessoas, o que concordo plenamente. Com isso, e um par de livros ("O Evangelho segundo Jesus Cristo" e o seu último "Caim") ganhou a férrea antipatia dos negros arcanjos de sotaina do Vaticano. Não será demais relembrar que no passado houve outros génios da nossa literatura que também chocaram de frente com os mafarricos de deus. Numa época em que ser excomungado era algo muito grave, o genial Guerra Junqueiro mereceu esse "prémio" pelo seu livro "A Velhice do Padre Eterno", que é o manifesto anti-clerical mais extraordinário que conheço. No entanto, ao contrário de Saramago, Junqueiro era um fervoroso crente, baseando nisso a sua contundência contra essa nefasta organização que é a Igreja Católica Apostólica Romana.

Apesar de eu não concordar em muitas coisas com José Saramago (entre elas a ideia de uma Iberia unida), uma personagem que despertava tamanhas antipatias da parte da classe política e da igreja, só pode merecer a minha mais profunda simpatia, e mais do que isso, a minha admiração.

Mais uma vez tenho diante de mim a imagem de minúsculas figuras políticas querendo pôr-se em bicos de pé diante da maiusculidade merecida de um homem cujo trabalho nos engradece a todos. E quando digo a todos, não digo só aos portugueses, nem aos lusófonos. A obra que nos deixa José Saramago é património de toda a humanidade, e como tal, deixa um mundo mais rico por ter existido. De muito poucos de nós se poderá dizer a mesma coisa, e seguramente nada dos protozoários políticos e religiosos que o louvam ou atacam.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Dose dupla

Para todos aqueles que tiveram paciência e interesse para ver o video postado em Abril deste ano, aqui vai a segunda dose, dos mesmos autores. Aconselho vivamente o visionamento. Eu sei que também são duas horas, mas não é de maneira nenhuma tempo perdido. Não me manifesto nem apologista, nem crítico do que se defende e expõe nos dois documentários. Apenas sou apologista de que todos vocês, como eu o fiz, pensem e tirem as vossas próprias conclusões, pois isso é muito mais importante do que apoiar ou refutar aquilo que seja. Pensem! Reflictam! Porque parece que isso hoje em dia está a cair em desuso! Apoiem ou critiquem, não interessa!

quarta-feira, abril 30, 2008

O quê? Ah, pois......sempre, né?

Não só parecem longínquos, os 34 anos passados sobre a revolução, mas mais longínquas parecem todas as esperanças que tinhamos na altura. Trinta e quatro anos de liberdade!

Para equipararem-se aos 48 da ditadura, só faltam 14, e ainda há quem tenha a lata de desculpar o atraso do país com a ditadura. Ok, pronto, está bem, foram 48 anos cruciais na história do mundo, em que tudo aconteceu fora das nossas fronteiras, enquanto o pessoal ouvia na rádio o "Serão para Trabalhadores". E........desculpem lá a pergunta.........nestes últimos 34 anos não aconteceu nada no mundo? Ah, ok, temos telemóveis à fartazana, multibancos e fazemos a declaração do IRS pela internet, além da Playstation e da TVCabo, e outras modernices que não me vêm à lembrança. De vez em quando calha-nos a presidência da União Europeia, para podermos andar 6 meses ufanos, e o presidente da Comissão Europeia é um português!

Trinta e quatro anos de liberdade! Sim, comparado com o garrote em que se vivia "no tempo da outra senhora", concordo plenamente. No entanto, entendo que liberdade é poder escolher como se quer viver cada segundo da vida, e para isso ter opções e alternativas, e caminhos para caminhar, ou até para fazer caminhos ao caminhar, como diria o António Machado.

"No tempo da outra senhora", dizia-se sussurando, nos cantos e esquinas escondidas, que o país era atrasado culturalmente por causa dos três éfes: Futebol, Fado e Fátima. Hoje em dia, sobre a pujança do futebol na cultura portuguesa, nem é necessário acrescentar o que seja; o fado nunca antes gozou de tanta saúde (e eu pessoalmente sou fã, assim como de muitas outras coisas). Onde é que anda a Fátima? Já vem? Está-se a vestir? Tá bem, era só pra saber!

"A culpa foi da ditadura! A culpa foi do Gonçalvismo! A culpa foi dos governos provisórios! A culpa foi da AD! A culpa foi do Soares! A culpa foi do Cavaco! A culpa foi dos socialistas! A culpa foi do PSD!"

Quando é que será que finalmente, a culpa foi, é, e será única e exclusivamente nossa? Afinal, não é porque as ovelhas possam escolher o seu pastor, que deixam de ser ovelhas, e andar em rebanho! Mas também concordo que só se apresentam lobos, como candidatos a pastor, mas quem não é pastor não lhe vista a pele!

domingo, abril 06, 2008

O Mundo em que vivemos

Pertencendo a uma geração que viveu debaixo da constante ameaça de guerra nuclear, e de outros "papões", comecei desde há muito tempo, e de forma crescente a ter o "atrevimento" de pôr uma série de dogmas em causa. O que me vem trazendo, direta ou indiretamente, pessoal ou impessoalmente, alguns amargos de boca. Uma das coisas que pus em causa foi se essa ameaça realmente existiu, ou foi só uma maneira dos dois blocos manterem as respectivas populações controladas pelo medo, coisa que aliás a igreja católica tem sido pródiga nos últimos dois milénios. Este filme que abaixo partilho, fala de algumas coisas que já aqui foram faladas ao longo dos anos, de outra forma, talvez. Apenas lhe encontro o defeito de passar de um tema para outro sem um aparente fio condutor, mas de facto ele está lá! Têm é que olhar com bastante atenção, ou ter uma aproximação adequada, e essa é para mim, a única falha do filme. Apenas me sinto inclinado a recomendar a quem se disponha a ver o filme (são duas horas, e eu vi tudo), de prestar muita atenção nas palavras ditas no início, e mantê-las em mente durante o resto do filme. São da mais extrema importância, e talvez o mais importante que se diz no filme inteiro. Bom visionamento, e bom pensamento, sobretudo o pensamento, de quem se diz não haver machado que corte a raiz.
Quanto aos meus amargos de boca, não têm importância absolutamente nenhuma, pois são apenas uma consequência de estar vivo, e de me cumprir a mim próprio. Afinal é comigo que tenho que viver o resto da vida, né?

quinta-feira, março 20, 2008

Os caminhos da música são insondáveis

Veio até mim, no meu myspace, este fabuloso músico chileno. Um exemplo de que, por vezes o menos pode tornar-se em mais. Ao perder o braço direito num acidente, aos 14 anos, Andrés Godoy não deixou que isso fosse um impedimento para fazer música, e inventou uma técnica própria para produzir aquilo que se pode ver e ouvir abaixo. Obrigado por não teres desistido, Andrés.