sexta-feira, janeiro 11, 2008

segunda-feira, dezembro 31, 2007

A Última do Ano

"A vida é aquilo que nos acontece, enquanto fazemos planos para o futuro"
John Lennon




Um bom ano para todos

terça-feira, dezembro 11, 2007

Ana Benavente interrompeu o silêncio e ( já agora ... )talvez valha a pena ler

Recebi há dias este texto por email. Penso que valha a pena partilhá-lo.




Será este o país que queremos?
Não sou certamente a única socialista descontente com os tempos que vivemos e com o actual governo. Não pertenço a qualquer estrutura nacional e na secção em que estou inscrita, não reconheço competência à sua presidência para aí debater, discutir, reflectir, apresentar propostas. Seria um mero ritual. Em política não há divórcios. Há afastamentos. Não me revejo neste partido calado e reverente que não tem, segundo os jornais, uma única pergunta a fazer ao secretário-geral na última comissão política. Uma parte dos seus actuais dirigentes são tão socialistas como qualquer neoliberal; outra parte, outrora ocupada com o debate político e com a acção, ficou esmagada por mais de um milhão de votos nas últimas presidenciais e, sem saber que fazer com tal abundância, continuou na sua individualidade privilegiada. Outra parte, enfim, recebendo mais ou menos migalhas de poder, sente que ganhou uma maioria absoluta e considera, portanto, que só tem que ouvir os cidadãos (perdão, os eleitores ou os consumidores, como queiram) no final do mandato.
Umas raríssimas vozes (raras, mesmo) vão ensaiando críticas ocasionais. Para resolver o défice das contas públicas teria sido necessário adoptar as políticas económicas e sociais e a atitude governativa fechada e arrogante que temos vivido?
Teria sido necessário pôr os professores de joelhos num pelourinho? Impor um estatuto baseado apenas nos últimos sete anos de carreira? Foi o que aconteceu com os "titulares" e "não titulares", uma nova casta que ainda não tinha sido inventada até hoje. E premiar "o melhor" professor ou professora? Não é verdade que "ninguém é professor sozinho" e que são
necessárias equipas de docentes coesas e competentes, com metas claras, com estratégias bem definidas para alcançar o sucesso (a saber, a aprendizagem efectiva dos alunos)?
Teria sido necessário aumentar as diferenças entre ricos e pobres? Criar mais desemprego? Enviar a GNR contra grevistas no seu direito constitucional? Penalizar as pequenas reformas com impostos? Criar tanto desacerto na justiça? Confirmar aqueles velhos mitos de que "quem paga é sempre o mais pequeno"? Continuar a ser preciso "apanhar" uma consulta e, não, marcar" uma consulta? Ouvir o senhor ministro das Finanças (os exemplos são tantos que é difícil escolher um, de um homem reservado, aliás) afirmar que "nós não entramos nesses jogos", sendo os tais "jogos" as negociações salariais e de condições de trabalho entre Governo e sindicatos. Um "jogo"? Pensava eu que era um mecanismo de regulação que fazia parte dos regimes democráticos.
Na sua presidência europeia (são seis meses, não se esqueça), o senhor primeiro-ministro mostra-se eufórico e diz que somos um país feliz. Será? Será que vivemos a Europa como um assunto para especialistas europeus ou como uma questão que nos diz respeito a todos? Que sabemos nós desta presidência? Que se fazem muitas reuniões, conferências e declarações,
cujos vagos conteúdos escapam ao comum dos mortais. O que é afinal o Tratado de Lisboa? Como se estrutura o poder na Europa? Quais os centros de decisão? Que novas cidadanias? Porque nos continuamos a afastar dos recém-chegados e dos antigos membros da Europa? Porque ocupamos sempre (nas estatísticas de salários, de poder de compra, na qualidade das prestações dos serviços públicos, no pessimismo quanto ao futuro, etc., etc.) os piores lugares? Porque temos tantos milhares de portugueses a viver no limiar da pobreza? Que bom seria se o senhor primeiro-ministro pudesse explicar, com palavras simples, a importância do Tratado de Lisboa para o bem-estar individual e colectivo dos cidadãos portugueses, económica, social e civicamente.
Quando os debates da Assembleia da República são traduzidos em termos futebolísticos, fico muito preocupada. A propósito do Orçamento do Estado para 2008, ouviu-se: "Quem ganha? Quem perde? Que espectáculo!" "No primeiro debate perdi", dizia o actual líder do grupo parlamentar do PSD, "mas no segundo ganhei" (mais ou menos assim). "Devolvam os
bilhetes...", acrescentava outro líder, este de esquerda.
E o país, onde fica? Que informação asseguram os deputados aos seus eleitores? De todos os partidos, aliás. Obrigada à TV Parlamento; só é pena ser tão maçadora.
Órgão cujo presidente é eleito na Assembleia, o Conselho Nacional de Educação festeja 20 anos de existência. Criado como um órgão de participação crítica quanto às políticas educativas, os seus pareceres têm-se tornado cada vez mais raros. Para mim, que trabalho em educação, parece-me cada vez mais o palácio da bela adormecida (a bela é a participação democrática, claro). E que dizer do orçamento para a cultura, que se torna ainda menos
relevante? É assim que se investe "nas pessoas" ou o PS já não considera que "as pessoas estão primeiro"?
Sinto-me num país tristonho e cabisbaixo, com o PS a substituir as políticas eventuais do PSD (que não sabe, por isso, para que lado se virar). Quanto mais circo, menos pão. Diante dos espectáculos oficiais bem orquestrados que a TV mostra, dos anúncios de um bem-estar sem fim que um dia virá (quanto sebastianismo!), apetece-me muitas vezes dizer: "Aqui há
palhaços." E os palhaços somos nós. As únicas críticas sistemáticas às agressões quotidianas à liberdade de expressão são as do Gato Fedorento.
Já agora, ficava tão bem a um governo do PS acabar com os abusos da EDP, empresa pública, que manda o "homem do alicate" cortar a luz se o cidadão se atrasa uns dias no seu pagamento, consumidor regular e cumpridor... Quando há avarias, nós cortamos-lhes o quê?? Somos cidadãos castigados! O país cansa!
Os partidos são necessários à democracia mas temos que ser mais exigentes. Movimentos cívicos... procuram-se (já há alguns, são precisos mais). As anedotas e brincadeiras com o "olhe que agora é perigoso criticar o primeiro-ministro" não me fazem rir. Pela liberdade muitos deram a vida. Pela liberdade muitos demos o nosso trabalho, a nossa vontade, o nosso
entusiasmo. Com certeza somos muitos os que não gostamos de brincar com coisas tão sérias, sobretudo com um governo do Partido Socialista!

Ana Benavente
Professora universitária, militante do PS
In: Jornal "Público" 2/12/07



domingo, novembro 11, 2007

Descansem em Música

Este ano o mundo da música perdeu duas personagens de superior significância, para mim. Não sei se vale a pena falar sobre o percurso de Max Roach, pois para quem o conhece, as apresentações são desnecessárias. Para quem não o conhece...................conheça-o! Falo-vos da minha experiência pessoal, para não cair em redundâncias sobre a carreira dele.
Quando menos esperamos, a vida presenteia-nos com inesperadíssimas surpresas, e foi o que me aconteceu, quando em 1995, o Luís Hilário do Hot Club de Portugal me telefonou a perguntar se eu estaria disponível para um seminário/concerto, integrado no festival Jazz em Agosto, na Fundação Gulbenkian. Estavamos às vésperas do meu aniversário. Disse-lhe que sim, que estava disponível, mas que me desse mais detalhes. Então lá me explicou que nesse ano o festival iria homenagear Max Roach, e que o mesmo pediu que se formasse um colectivo de bateristas e percussionistas, um pouco à semelhança do grupo M'Boom, que ele dirigia desde princípios dos anos 70. Senti as pernas a fraquejar, e a adrenalina a subir como um foguete. Max Roach? O Max Roach? Aquele que escreveu várias páginas da história do jazz, junto a nomes como Charlie Parker, Charles Mingus, Dizzie Gillespie, Miles Davis, e tantos outros? Esse Max Roach? Por momentos pensei que estavam a gozar comigo, no entanto lá fui eu no dia indicado, na hora indicada para a Fundação Gulbenkian, onde me encontrei com vários colegas, uns mais íntimos do que outros. Não me vou esquecer nunca do momento em que Max Roach entrou na sala, e eu senti como a sua presença encheu aquela sala. Durante os 3 dias que trabalhámos, foi inacreditável aquilo que produzimos, e eu pessoalmente estava abismado com as coisas que me iam saindo. Num dos temas, Max decidiu pôr-me à frente, dando a entrada de um tema com o meu djembé. O concerto do Colectivo Português de Percussão, dirigido por Max Roach, foi um êxito, e desse colectivo nasceu o grupo Tim-tim por Tum-tum, do qual eu já não fiz parte. Um ano e tal mais tarde voltei a ver Max Roach, num extraordinário espectáculo a duo com o bailarino e coreógrafo americano Bill T. Jones. Fui o único do colectivo a apresentar-se ao espectáculo. No final, ainda de queixo no chão do que acabava de ver e ouvir, fui ao camarim cumprimentá-lo, e timidamente perguntei se ainda se lembrava de mim. Ele sorriu e disse "Ah! Mister Djembé Man!". Foi a última vez que o vi. Para ele fiquei o mr. Djembe Man, mas ele para mim ficou como um encontro místico, muito mais além da música.

O mesmo que disse sobre as apresentações de Max Roach, digo também de Joe Zawinul. E remeto-me de novo à minha experiência pessoal. Foi há dois anos, no verão, durante o festival El Grec, que mal vi na programação que estaria o Zawinul Syndicate, fui logo a correr comprar o bilhete, e fiquei logo nas primeiras filas, num extraordinário teatro grego daqui da cidade. Sobre o concerto, continuo na mesma, como expliquei em "posta", naquela época, sem adjectivos para qualificar. Digamos que poderei dizer aos meus netos que eu vi Joe Zawinul ao vivo. E não só o vi, como fiquei a fazer figura de fan, esperando que o homem saísse para lhe dar um abraço e lhe agradecer por tantos anos de boa música, e de inovação. Fica-me na memória uma frase que lhe ouvi uma vez numa entrevista: "Creio em Deus, mas confio na inteligência que está por detrás do instinto"


Tanto Roach como Zawinul foram dessas figuras que vão de catana à frente, abrindo os caminhos da creatividade e da inovação, para nos deixarem referências, reflexões e pistas a seguir. A estes dois e a alguns poucos mais, tenho-lhes a agradecer terem-me ensinado que mais importante que ser músico, é ser MÚSICA! Mas seguramente, se Deus os chamou, foi para os ouvir tocar!!!

quarta-feira, setembro 19, 2007

Ser ou não ser...............evidentemente, a grande questão

Num pacotinho de açucar li a seguinte frase que acho que merece ser partilhada

"Não tentar algo com medo ao fracasso, é como suicidar-se com medo de morrer"

quarta-feira, agosto 29, 2007

segunda-feira, agosto 27, 2007

Fui ver o sol nascer no mar



Fui ver o sol nascer. Farto de estar vazio, senti necessidade de que alguma coisa enchesse e fui ver o sol nascer. Depois de 4 dias sem sair de casa, imerso em mim mesmo, arrastei o corpo pesado para cima da minha bicicleta, desci a rua (tenho o previlégio da praia estar no fim da rua), e fui ver o sol nascer no mar. Para trás deixei o meu quarto, onde me enfiei qual gruta. A mala ainda por desfazer há quase 2 semanas, a desordem de objectos e papéis um pouco por toda a parte, reflexo da minha cabeça. Fui ver o sol nascer no mar. Na esperança que um ou o outro me dessem respostas às minhas perguntas. Ou nem isso, nem é isso o que eu queria, apenas queria sentir-me abraçado. Pensando no abraço veio-me à cabeça a terna memória do abraço do meu filho, o qual tão cedo não terei. Nem poderei chegar ao seu quarto, e enquanto ele dormir, passar a minha mão pelos seus cabelos e face, como tantas vezes o fiz. Tentei imaginar que a luz que o sol começava a despontar me abraçava os olhos, que o marulhar do mar me abraçava os ouvidos, e que o calor e a maresia me abraçavam o corpo com braços de seda. E com o olhar pendurado no horizonte a levante, deixei a cabeça esvaziar, e as memórias desfilarem como um filme, emocionando-me e comocionando-me, como se saíssem de mim para o infinito. Já quisera eu! Que essas memórias me abandonassem, nem que fosse por umas semanas, mas eu sei que não. Seguirão desfilando perante os meus olhos, tão reais que quase posso tocá-las, desfilando como uma projeção de slides animados, com cheiros, toques, aromas, calores, humores e amores. Seguirão suspensas na minha mente, como essa bola de fogo suspensa no horizonte à minha frente. Apertado o meu pescoço no dramatismo lusitano, ao qual não posso escapar, o sol acaba de nascer. E diante de um espectáculo assim, a violenta beleza que espraia à minha frente estrangula-me até quase ficar sem ar, os olhos embaçam-se, o meu corpo amolece, e ouço-me dizer: "Tudo isto é triste! Tudo isto existe! Tudo isto é fado!"

terça-feira, agosto 21, 2007

A quem lhe concerne

A insensatez, que você fez, coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor o seu amor, um amor tão delicado
Ah, por que você foi fraco assim, assim tão desalmado
Ah, meu coração, que nunca amou não merece ser amado
Vai, meu coração, ouve a razão, usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão, colhe sempre tempestade
Vai, meu coração, pede perdão, perdão apaixonado
Vai, porque quem não pede perdão, não é nunca perdoado


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


Vinicius de Moraes

domingo, julho 22, 2007

Pode ser???

Nas minhas meditações, talvez tenha encontrado o motivo pela desconfiança com que sou ou fui por vezes olhado. Normalmente o ser humano vive numa busca intensa e incessante pela coerência. Para que as coisas tenham sentido na sua vida. Assim, nessa busca por coerência tenta analisar os seus valores, aquilo em que acredita ser o certo e o errado, e ver se eles se ajustam à sua maneira de actuar. Normalmente a tendência é a de ajustar os valores à margem possível da maneira de actuar. Eu faço exactamente ao contrário! Por isso sou maluco, não sou normal. Mas como já foi aqui dito, acredito que a normalidade é um dado estatístico, pois quanto mais pessoas haja a agir de determinada forma, mais normal se torna. Portanto a normalidade é tão discutível como outra coisa qualquer, inclusive a inovadora teoria da relatividade do Eistein está a ser questionada. E agora pergunto, não é esse desvio da normalidade que, como dizia o António Gedeão, faz com que o mundo pule e avance? Não é esse questionamento, e até auto-questionamento que faz com que "o sonho seja uma constante da vida". E os sonhos só são para ser sonhados, ou são para ser realizados? Ou pelo menos que se tente realizá-los? O céu é o limite! E se acontecesse só aos outros, como é que o mundo se moveria?

Continuo a achar extremamente difícil sair da idade dos porquês

quarta-feira, junho 20, 2007

(quase) Sem Palavras

Meus queridos, fieis e exigentes leitores. Muitas têm sido as manifestações de carinho e apoio para que a Burra volte a dizer de sua justiça. A todos agradeço do fundo do coração, tais manifestações de apreço pelo que gatafunho por aqui fora. No entanto, a Burra está a passar por um desses seus periodos de contemplação e meditação. Porque para falar do mundo, e das suas coisas, há que contemplá-lo. Mas para que não fiquem em seco, deixo-vos algo que eu achei para que possam (ou não) contemplar.
Um beijinho com carinho




quarta-feira, abril 25, 2007

Para Sempre?????


Faz hoje 33 anos desde a nossa última grande oportunidade de ser um país a sério, fiel a ele mesmo, ao seu povo, e às suas origens, e senhor do seu destino. Os resultados cada um que julgue por si. Eu tentei fazer a parte que me cabia e tive que me vir embora.