terça-feira, abril 25, 2006

25 de Abril..........Sempre?

Recebi há dias no meu email uma mensagem com o texto que se segue. Exponho-o aqui, não por concordar, ou não com ele, mas apenas para dar-vos a conhecer uma outra visão da coisa, e deixar-vos comentar ou não. Também não estou 100% seguro da autoria do mesmo, apenas o exponho, tal qual me chegou. Bom feriado a todos.



O 25 DE ABRIL E A HISTÓRIADe: António José Saraiva Se alguém quisesse acusar os portugueses de cobardes, destituídos de dignidade ou de qualquer forma de brio, de inconscientes e de rufias, encontraria um bom argumento nos acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril.Na perspectiva de então havia dois problemas principais a resolver com urgência. Eram eles a descolonização e a liquidação do antigo regime.Quanto à descolonização havia trunfos para a realizar em boa ordem e com a  vantagem para ambas as partes: o exército português não fora batido em campo de batalha; não havia ódio generalizado das populações nativas contra os colonos; os chefes dos movimentos de guerrilha eram em grande parte homens de cultura portuguesa; havia uma doutrina, a exposta no livro Portugal e o Futuro do general Spínola, que tivera a aceitação nacional, e poderia servir de ponto de partida para uma base maleável de negociações. As possibilidades eram ou um acordo entre as duas partes, ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem, isto é, escalonada e honrosa.Todavia, o acordo não se realizou, e retirada não houve, mas sim uma debandada em pânico, um salve-se-quem-puder. Os militares portugueses, sem nenhum motivo para isso, fugiram como pardais, largando armas e calçado, abandonando os portugueses e africanos que confiavam neles. Foi a maior vergonha de que há memória desde Alcácer Quibir. Pelo que agora se conhece, este comportamento inesquecível e inqualificável deve-se a duas causas. Uma foi que o PCP, infiltrado no exército, não estava interessadonum acordo nem numa retirada em ordem, mas num colapso imediato que fizesse cair esta parte da África na zona soviética. O essencial era não dar tempo de resposta às potências ocidentais. De facto, o que aconteceu nas antigas colónias portuguesas insere-se na estratégia africana da URSS, como os acontecimentos subsequentes vieram mostrar. Outra causa foi a desintegração da hierarquia militar a que a insurreição dos capitães deu início e que o MFA explorou ao máximo, quer por cálculo partidário, quer por demagogia, para recrutar adeptos no interior das Forças Armadas. Era natural que os capitães quisessem voltar depressa para casa. Os agentes do MFA exploraram e deram cobertura ideológica a esse instinto das tripas,  justificaram honrosamente a cobardia que se lhe seguiu. Um bando de lebres espantadas recebeu o nome respeitável de «revolucionários». E nisso foram ajudados por homens políticos altamente responsáveis, que lançaram palavras de ordem de capitulação e desmobilização num momento em que era indispensável manter a coesão e o moral do exército para que a retirada em ordem ou o acordo fossem possíveis. A operação militar mais difícil é a retirada; exige em grau elevadíssimo o moral da tropa. Neste caso a tropa foi atraiçoada pelo seu próprio comando e por um certo número de políticos inconscientes ou fanáticos, e em qualquer caso destituídos de sentimento nacional. Não é ao soldadinho que se deve imputar esta fuga vergonhosa, mas dos que desorganizaram conscientemente a cadeia de comando, aos que lançaram palavras de ordem que nas circunstâncias do momento eram puramente criminosas.Isto quanto à descolonização, que na realidade não houve. O outro problema era da liquidação do regime deposto. Os políticos aceitaram e aplaudiram a insurreição dos capitães, que vinha derrubar um governo, que segundo eles, era um pântano de corrupção e que se mantinha graças ao terror policial: impunha-se, portanto, fazer o seu julgamento, determinar as responsabilidades, discriminar entre o são e o podre, para que a nação pudesse começar uma vida nova. Julgamento dentro das normas justas, segundo um critério rigoroso e valores definidos.Quanto aos escândalos da corrupção, de que tanto se falava, o julgamento simplesmente não foi feito. O povo português ficou sem saber se as acusações que se faziam nos comícios e nos jornais correspondiam a factos ou eram simplesmente atoardas. O princípio da corrupção não foi responsavelmente denunciado, nem na consciência pública se instituiu o seu repúdio. Não admira por isso que alguns homens políticos se sentissem encorajados a seguir pelo mesmo caminho, como se a corrupção impune tivesse tido a consagração oficial. Em qualquer caso já hoje não é possível fazer a condenação dos escândalos do antigo regime, porque outras talvez piores os vieram desculpar.Quanto ao terror policial, estabeleceu-se uma confusão total.Durante longos meses, esperou-se uma lei que permitisse levar a tribunal a PIDE-DGS. Ela chegou, enfim, quando uma parte dos eventuais acusados tinha desaparecido e estabelecia um número surpreendentemente longo de atenuantes, que se aplicavam praticamente a todos os casos. A maior parte dos julgados saiu em liberdade. O público não chegou a saber, claramente; as responsabilidades que cabiam a cada um. Nem os acusadores ficaram livres da suspeita de conluio com os acusados, antes e depois do 25 de Abril.Havia, também, um malefício imputado ao antigo regímen, que era o dos crimes de guerra, cometidos nas operações militares do Ultramar. Sobre isto lançou-se um véu de esquecimento. As Forças Armadas Portuguesas foram alvo de suspeitas que ninguém quis esclarecer e que, por isso, se transformaram em pensamentos recalcados. Em resumo, não se fez a liquidação do antigo regímen, como não se fez a descolonização. Uns homens substituíram outros, quando os homens não substituíram os mesmos; a um regímen monopartidário substituiu-se um regímen pluripartidário. Mas não se estabeleceu uma fronteira entre o passado e o presente. Os nossos homens públicos contentaram-se com uma figura de retórica: «a longa noite fascista». Com estes começos e fundamentos, falta ao regime que nasceu do 25 de Abril um mínimo de credibilidade moral. A cobardia, a traição, a irresponsabilidade, a confusão, foram as taras que presidiram ao seu parto e, com esses fundamentos, nada é possível edificar. O actual estado de coisas, em Portugal, nasceu podre nas suas raízes. Herdou todos os podres da anterior; mais a vergonha da deserção. E com este começo tudo foi possível depois, como num exército em debandada: vieram as passagens administrativas, sob capa de democratização do ensino; vieram «saneamentos» oportunistas e iníquios, a substituir o julgamento das responsabilidades; vieram os bandos militares, resultado da traição do comando, no campo das operações; vieram os contrabandistas e os falsificadores de moeda em lugares de confiança política ou administrativa; veio o compadrio quase declarado, nos partidos e no Governo; veio o controlo da Imprensa e da Radiotelevisão, pelo Governo e pelos partidos, depois de se ter declarado a abolição da censura; veio a impossibilidade de se distinguir o interesse geral dos interesses dos grupos de pressão, chamados partidos, a impossibilidade de esclarecer um critério que joeirasse os patriotas e os oportunistas, a verdade e a mentira; veio o considerar-se o endividamento como um meio honesto de viver. Os cravos do 25 de Abril, que muitos, candidamente, tomaram por símbolo de uma primavera, fanaram-se sobre um monte de esterco.Ao contrário das esperanças de alguns, não se começou vida nova, mas rasgou-se um véu que encubra uma realidade insuportável. Para começar, escreveu-se na nossa história uma página ignominiosa de cobardia e irresponsabilidade, página que, se não for resgatada, anula, por si só todo o heroísmo e altura moral que possa ter havido noutros momentos da nossa história e que nos classifica como um bando de rufias indignos do nome de nação. Está escrita e não pode ser arrancada do livro. É preciso lê-la com lágrimas de raiva e tirar dela as conclusões, por mais que nos custe. Começa por aí o nosso resgate. Portugal está hipotecado por esse débito moral, enquanto não demonstrar que não é aquilo que o 25 de Abril revelou. As nossas dificuldades presentes, que vão agravar-se no futuro próximo, merecemo-las, moralmente. Mas elas são uma prova e uma oportunidade. Se formos capazes do sacrifício necessário para as superar, então poderemos considerar-nos desipotecados e dignos do nome de povo livre e de nação independente. António José Saraiva

segunda-feira, abril 24, 2006

Diada de Sant Jordi

Ontem celebrou-se uma das tradições mais bonitas da Catalunha: o dia de Sant Jordi (S.Jorge). Padroeiro da Catalunha. O dia de Sant Jordi não é apenas a celebração do padroeiro da Catalunha, mas é o equivalente ao dia dos namorados, e a tradição manda que elas ofereçam a eles um livro, e que eles ofereçam a elas uma rosa. Uma rosa por um livro, ou um livro por uma rosa. Pode parecer piegas ou saloio, mas eu acho esta tradição bonita.

terça-feira, março 28, 2006

Animalidades

     Não gosto de touradas! Acho um espectáculo abjecto, sem sentido, senão o da sacralização da virilidade à custa do sofrimento alheio. Acontece com muitos automobilistas, e com o exército norte-americano, também. Sempre achei o circo um espectáculo patético, e muito mais com os pobres animais amestrados. Lembro-me da primeira vez que fui ao Jardim Zoológico, e de quando parei em frente ao célebre elefante do sino, olhar os seus olhos e sentir a sua humilhação resignada, mas também de sentir que ali havia vida. Vida com vontade própria, com alma, ainda que amordaçada. Com alma, sim, pois segundo a etimologia da palavra animal, provém do latim anima, que é a raiz da palavra alma.
     Mais tarde li que os teósofos, que defendem a teoria da reencarnação, crêem que os animais pertencem a almas-grupo, ou seja, que cada espécie pertence a uma alma comum, e cada reencarnação aporta a experiência da sua existência encarnada ao resto do grupo da alma. Também defendem que o que diferencia o homem dos outros animais, não é a inteligência, mas sim a consciência. Da inteligência temos tido cada vez mais provas, de que é cada vez menos um exclusivo humano. Da consciência, eu mesmo suspeito que também não.
     Hoje em dia considero-me uma pessoa incapaz de fazer mal a uma mosca.............literalmente, e no sentido budista do respeito por todas as formas de vida. Não, não sou budista, apenas tento ser coerente com aquilo que acredito, e acredito que uma mosca não merece morrer por ser mosca, assim como um touro não merece sofrer e morrer na arena, por ser touro. Nem uma foca merece morrer por ser foca e haver muitas. Segundo dizem também começa a haver demasiados seres humanos, e ninguém pratica o genocídio sob essa razão (outras igualmente estúpidas e crueis, sim). Mas antes de me considerar pessoa, homem, humano ou mamífero, sou um animal como outro qualquer. Existem outras diferenças entre os humanos e as outras espécies. Os humanos trabalham, os humanos matam-se em massa entre si, os humanos passam a vida buscando desesperadamente uma segurança ilusória com o fim de ignorar a inevitabilidade da morte. Os humanos quase sempre escolhem a pior alternativa para a liderança do seu grupo, os humanos têm sérias dificuldades de se integrarem no seu grupo, e tudo se processa numa aprendizagem anti-natural, os humanos julgam-se os donos do mundo. Os humanos matam outros animais para fins que não são o da alimentação de sobrevivência. Os humanos não se preocupam com a sobrevivência da sua própria espécie, mas sim do da sua própria classe dentro da espécie. Os humanos atribuem à palavra humano um sentido que pouco tem a ver com a realidade do que é um ser humano, mas sim do que todos gostariam que fosse. Os humanos dormem melhor quando se preocupam pelas grandes catástrofes humanitárias ou ecológicas, mas em nada alteram o seu quotidiano para que essas catástrofes não aconteçam. No entanto pensam em si mesmos como pessoas melhores do que as outras. Os humanos são extremamente arrogantes, quer quando o demonstram claramente, quer quando mais perigosamente o disfarçam. E por causa desse narcisismo delirante, o ser humano confia aos seus deuses o futuro da sua espécie, através das suas orações, livrado-se assim da sua quota-parte de responsabilidade, e podendo de novo, de alma limpa, sentir-se extremamente bem dentro da sua pele. Sim, o ser humano também é cínico! E cego! Cego porque apenas quer ver com os olhos de ver, e não com os de sentir, e assim afasta da sua vista tudo o que não quer ver, como a dona de casa badalhoca que varre o lixo para debaixo do tapete. Olhos que não vêem...

     Tudo isto veio a propósito de uma posta do Cobre & Canela. Não acredito no fim do mundo, pois a Natureza é muito mais poderosa e sábia que todos os humanos juntos (basta relembrar quantos desastres naturais houveram nos últimos 2 anos). Mas começo a crer no fim da espécie humana, através do suicídio. No entanto, como diz um querido amigo meu "Se se entende, as coisas são como são. Se não se entende, as coisas são como são."

sexta-feira, março 10, 2006

Amigos das Cantigas


Segundo o que disse o amigo Rogério Charraz, parece que este disco está de novo à venda, ou "ainda está" à venda (quiça restos de stock). Para aqueles que ficaram de beiço pendurado por não ter tido oportunidade de ficar com uma cópia quando foi editado (há precisamente 6 anos), talvez tenham agora oportunidade de adquirir aquele que foi o disco mais importante para mim até agora. Foi um curso acelerado de produção musical e executiva. Tudo tenho a agradecer ao Moz Carrapa e ao Jorge Avillez, principalmente, por me terem aturado e ajudado durante os 3 meses de trabalho de estúdio. Tenho também tudo a agradecer à minha família que me aturou e aguentou durante os 9 meses que durou o "parto" deste disco. Tenho também tudo a agradecer aos músicos que puseram o seu esforço e talento ao serviço deste disco.  Posted by Picasa

terça-feira, fevereiro 28, 2006

A Página do Trabuquir (Rectificação)

Afinal, parece que os comentários da web do MySpace só são possíveis a quem já é membro do dito cujo. Como tal, “embuido” pelo mais alto espírito democrático, e não querendo forçar ninguém a inscrever-se no tal sítio (site em inglês), venho rectificar a anterior posição, e dizer a todos os que desejem comentar, que o podem fazer através da Burra. Pois é, nem tudo são flores, e os chavalos do MySpace estão na deles. Peço desde já desculpa aos que tentaram debalde deixar algum comentário lá. Como dizia a Mafalda (a do Quino): “A vida moderna, tem mais de moderna do que de vida”

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Visca Barça!!!!!


Não me lembro de uma equipa de futebol me emocionar tanto como este Barça, desde que a nossa selecção perdeu pela mão (extremamente dúbia) de Abel Xavier. E fazem-me recordar porque é que o futebol move paixões. Neste caso, o jogo da noite passada contra o Chelsea, significava muito mais do que a classificação para os quartos de final. Significava o calar a boca a um palhaço arrogante. "Pela boca morre o peixe", diz-se, e por muito bom treinador que seja, José Mourinho perde ocasiões de ouro de estar calado, ao fazer certas declarações rufias, desprezando os adversários. Pode ser que a massa associativa do Chelsea goste disso, mas fica-lhe muito mal, como fica a qualquer pessoa com a sua postura.
Nem a jogada baixa do polémico atraso da mudança da relva do campo o salvou. Na verdade estava uma vergonha! Um campo que mais parecia o de um jogo de solteiros e casados, do que o de uma competição europeia. O FC Barcelona "vine, vidi, vici". E foi um gostinho ver a cara de cu com que ficou o Mourinho ao ver as sucessivas rabetas que levava a sua equipa, apesar do esforço meritório. Uma ultima ressalva: o Barça podia ter disfarçado um pouco mais o "queimar-tempo" dos últimos minutos, além de ter perdido ocasiões de ouro para fazer o Chelsea "embolsar" uns quantos golos mais.
O prezado leitor deve estar surpreendido por me ver a comentar futebol, mas eu também gosto, e na verdade, é impossível ficar indiferente ao Barça. Não é por ter 3 ou 4 craques simpáticos, é porque realmente é uma equipa que funciona muito bem, e tem uma simbiose quase perfeita com o treinador. E ver uma equipa a jogar assim, dá gosto! Visca Barça!!! Posted by Picasa

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Página do Trabuquir

A Burra tem sido, e continuará a ser o meu sítio de divagações, desabafos, histerias e outras parvoíces. No entanto, venho fazer público, que lancei uma primeira pedra de uma web dedicada exclusivamente ao meu trabalho. Quem se importe com isso, ou tenha um incontrolável espírito bisbilhoteiro, dê uma saltada , e diga de sua justiça, se for o caso. Peço desde já que mantenham as coisas separadas (para não haver confusões). Se lhes apetece comentar a web, comentem lá! A Burra não gosta de ser incomodada com o meu trabalho. Há também uma ligaçãozinha no fim da lista das "Ligações Perigosas". O sítio (site em inglês) ainda não está a 100%, mas ando a trabalhar na coisa. De momento também tem blog, embora só lá tenha uma pequena nota redundante, mas que serve para dar largas ao meu carácter exibicionista como poliglota.

Grato pela vossa atenção

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Banha Na Carola

Foi-me enviado este email, pelo meu amigo Moz Carrapa (ver A Corveia), e não resisto partilhá-lo convosco. Bom apetite.




OBESIDADE MENTAL O prof. Andrew Oitke publicou um livro polémico: «Mental Obesity»,que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informaçãoe conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comunsque de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos,juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas.Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.Os cozinheiros desta magna fast food intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e políticos, os romancistas e realizadores de cinema.Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»O problema central está na família e na escola.«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma«alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance,violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma:«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamentede cadáveres de reputações, de detritos de  escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.»O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante,para se centrarem apenas no lado polémico e chocante.«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy.Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve.Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê.Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto.As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras. «Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia.Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.Precisa sobretudo de dieta mental : COM QUALIDADE.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Outra Leitura

Facto 1 – Parece que as tais caricaturas surgiram numa publicação ultra-conservadora.
Facto 2 – Parece que o Imã de Copenhaga insurgiu-se directamente contra o governo dinamarquês, em vez de exigir desculpas públicas à tal publicação, nem apresentar queixa-crime por infâmia, e imediatamente enveredou por uma cruzada em busca de apoios à sua indignação
Facto 3 – Parece que os criacionistas norte-americanos já fizeram recentemente críticas mais duras e mordazes ao Islão, e não se levantaram tantas vozes discordantes.
Facto 4 – Tudo isto acontece quando o Irão e o seu programa nuclear estão em debate nas Nações Unidas. E também com um endurecimento religioso dos apoiantes de Bush, coincidindo com uma grande baixa da sua popularidade.
Facto 5 – Não há registo de qualquer tipo de manifestação da imensa comunidade muçulmana nos Estados Unidos.

Meus amigos.............isto cheira-me a esturro!!

A Caricatura da Sociedade

     Tenho normalmente uma simpatia pelos dinamarqueses, e pelos nórdicos em geral, que apesar de serem um pouco toscos, são pessoas geralmente simpáticas e inteligentes, e com bastante sentido de humor. Mas nesta história das caricaturas, acho que a inteligência pouco os ajudou. Realmente a Sandra Feliciano deve ter razão, e ando um pouco desatento, pois só me dei conta da história ontem. Mas voltando à história. Parece que o exemplo da reacção do Islão ao livro “Versículos Satânicos” de Salman Rushdie, anda um pouco esbatido na memória do pessoal. E da maneira como andam as coisas pelo mundo islâmico (com ou sem razão, não é isso que se discute aqui), publicar as tais caricaturas, é decididamente “cutucar a onça com vara curta”, como dizem os brasileiros. Foi realmente uma estupidez provocar gratuitamente a ira de uma parte importante da população mundial, sobejamente conhecida por não ter muito sentido de humor no que toca a assuntos religiosos, entre outros. E digo isto com algum conhecimento de causa, pois vivo num bairro de maioria muçulmana, onde provavelmente me terei que confrontar com algumas das acções de protesto, além de ter dado aulas a muçulmanos, também.
Esta posta vem na sequência de ter recebido um email com um texto publicado no blog Combustões, na base do “Mata o Mouro!!!”(onde não há direito a comentários, o que pode ter várias leituras), e que me incomodou o suficiente para escrever estas linhas. Não conheço o autor do texto em causa, mas parece-me uma pessoa com um certo eruditismo, e algum conhecimento histórico. Pena é que desse conhecimento histórico, só se lembre das negras façanhas dos muçulmanos, e não das dos europeus, e recordando as grandes contribuições dos europeus à civilização mundial, se esqueça das do Islão. Mas se tem fraca memória, ou memória selectiva, recordo aqui que a finais do primeiro milénio, aurora do segundo, o califato de Córdoba, era o farol da civilização mais avançada da época, tanto em termos tecnológicos, como em termos artísticos, contrastando enormemente com a grunharia que era a Europa Cristã. Se não fossem os àrabes, ainda andávamos a fazer contas em numeração romana (que dá tanto jeito com catar pulgas com uma luva de boxe), e que sem os conhecimentos de navegação àrabes, os portugueses nem sequer tinham chegado às Berlengas. Que no sul da Península Ibérica as povoações têm ruas onde a largura se vai alterando, e com isso provoca diferentes pressões de ar, fazendo o ar circular. Além de terem plantado laranjeiras na via pública, que ao mesmo tempo que mata a sede e a fome aos mais desafortunados, perfumava as ruas num tempo em que o saneamento básico era desconhecido.
Quero deixar bem claro, que não estou a fazer a apologia do mundo islâmico, e do seu mondus vivendi et operandi, mas parafraseando a grande frase do filme Spiderman “Um grande poder, acarreta grande responsabilidade”, e há que saber realmente do que é que se está a falar. E parece-me a mim que os europeus, tal como Napoleão, nos coroámos imperadores da razão, e tão cegos estamos com a luz que irradia do nosso idílico e paradisíaco mundo, que com toda a soberba e arrogância, queremos julgar e obrigar civilizações diferentes à nossa, a pensar e agir da mesma maneira que nós. Afinal onde é que está o tal politicamente correcto? Onde está o tal respeito pela diferença que tanto apregoamos? Sim, são apenas umas vulgares caricaturas que nos fazem esboçar um sorriso.........PARA NÓS!!!! Se isso ofende outras pessoas, que se lixem?? É essa a postura de uma sociedade dita moderna, tolerante e progressista? Não me parece. Mas também eu sou um mero plebeu europeu, que se aproveita da dita liberdade de expressão, para dar a minha opinião que ninguém pediu. No entanto, tenho abertura suficiente para permitir aos outros que contestem essas opiniões, dando-lhes a possibilidade de comentar. Não privo ninguém do direito de resposta, com receio de ler aquilo que não me convém.
Uma pequena ressalva, ainda acerca do post do blog Combustões: como estudante que fui, e amante que sou da História, aprendi que é perfeitamente obtuso e absurdo descontextualizar os feitos do passado, e trazê-los para o presente, para assim julgá-los e servir de suporte a uma qualquer teoria que nos apeteça. No entanto, reconheço que deve fazer com que nos sintamos melhor connosco próprios.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

A Burra a Dar Música!!

Através do blog do amigo Rogério Charraz, tomei conhecimento da existência do blog do dr. Júlio Machado Vaz, que penso dispensa apresentações. Confio que muitos de vocês, como eu, se colaram ao ecrã da 2, semana após semana, a ouvir este homem que, pela primeira vez no nosso puritano país, chamava os bois pelos nomes em matéria de sexo. Acho que grande parte de nós lhes estamos agradecidos, dr. Júlio, nem que seja pelo doce despudor com que nos explicava, coisas que até pennsávamos saber, e afinal nem por isso.
Bom, acontece que o blog do dr. Júlio (O Murcon) tem música!!!! E como a inveja é uma merda, mas serve-nos de motor para muita coisa, lembrei-me que há uma série de anos, nos princípios do Cotonete, eu tinha feito uma rádio, da qual já nem me lembrava da password. Fui ao site, e depois de algumas tentativas frustradas, lá me lembrei da password, e entrei naquilo que eu pensava desaparecido para sempre no cyberespaço: a minha rádio!! A Burra Nas Couves Rádio!! Depois do email foi a primeira incursão da Burra no cyberespaço, e ainda mantinha a mesma lista feita no tempo em que se podia escolher por tema e por artista (agora já não se pode). Vai daí, adicionei-lhe umas coisinhas mais, e adicionei-a ao blog, para que o benvindo leitor destas linhas possa estar entretido a ouvir a música que eu curto (claro! O blog é meu!), dentro do leque musical que a Cotonete pôs ao dispôr do pessoal. Pois a partir de agora a Burra, além de dar tanga, também vos dá música.
Mas para além da música da Burra, visitem o Murcon, que vale a pena.

Beijinhos e abraços e outras manifestações de afecto

domingo, janeiro 29, 2006

Presidenciais 2006

NEVOEIRO


Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra

Ninguém sabe que coisa quer
Ninguém conhece que alma tem
Nem o que é mal nem o que é bem
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro
Tudo é disperso, nada é inteiro
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

Fernando Pessoa (10/12/1928)

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Crónica de Portugal

     Primeiro foi a luz. Já não estava habituado à luz de Lisboa, e fiquei a entender o fascínio que alguns realizadores de cinema têm com Portugal. Em Portugal a luz brilha de outra forma, mais intensa, mais brilhante, arrancando as cores dos seus sítios e metendo-as pelos olhos adentro. E ao sentir essa intensidade luminosa, era-me difícil conter um sorriso e uma comoção. Pensei que talvez tivesse passado demasiado tempo fora, mas por outro lado, se não tivesse, agora não poderia disfrutar tanto, e notar a diferença.
     Seguidamente, foi baixar à terra, e enfrentar-me à burocracia do aeroporto, para tentar resgatar o meu saco da roupa, esquecido na passadeira das bagagens. Já me tinha esquecido que em termos laborais, uma das características dos portugueses é encontrarem um problema para cada solução, e que as medidas tomadas pelas administrações de empresas servem apenas para facilitar a vida aos seus administradores e altos cargos, nunca os seus empregados e muito menos os utentes.
     Depois, o reencontro com a família, com o bairro, com alguns dos seus habitantes, alguns amigos de há muitos anos, e o recordar de antigas histórias entre uma ou outra anedota. O café sempre óptimo, e a comida, sempre muita e sempre saborosíssima. Com a noite veio um pouco mais de solidão, mas também o recordar de cheiros e ruídos, de locais onde quase já não encontro ninguém conhecido. E caminhei em passos perdidos por essa Almada velha, meio remendada, meio decadente, observando esquinas e fachadas, cheirando o vento, e abandonando-me às minhas memórias.
     Depois fazer-me a Lisboa, e sobre a ponte emocionar-me com a vista desse mar imenso que é o Tejo. Recordar os milhões de vezes que o atravessei, fosse por ponte ou preferentemente, por barco.
     Não sei se pela proximidade do Natal, se por outra razão, fiquei com a sensação que as pessoas tinham “tirado férias” do pessimismo gerado pela crise. Por outro lado, ao deparar-me mais, ao vivo e a cores, da situação política (em plena campanha presidencial), que a classe política vive cada vez mais numa dimensão paralela, em que qualquer semelhança com o país real é pura coincidência, de tão grotesca e desfasada que está. E o povo também se comporta como se já nada tivesse a ver com aquilo.
     Bom, mas voltando à “poesia”. O reencontro com velhos amigos e colegas, também foi emocionante, e tive a sorte de coincidir com a última festa de aniversário do B.Leza, à qual se seguiria o seu definitivo encerramento, por ordem de tribunal. A noite de Lisboa ficará certamente mais triste. Depois do encerramento do Ritz Club, os espaços alternativos às discotecas são cada vez menos. Dentro de pouco só se poderá abanar o esqueleto ao som da martelada.
     Dias depois veio Aveiro, Porto, Coimbra e a serra de Sintra, onde agora é preciso pagar para entrar no recinto da Pena, e em Monserrate. Pensei que os impostos que a malta paga já serviam para a manutenção daquilo tudo, mas enganei-me, pelos vistos. Em toda a minha vida só me lembro de pagar para entrar no palácio da Pena, nunca no recinto.
     A ria de Aveiro sempre bela, e o jantar em Gaia, junto ao Douro, com vista para o Porto do outro lado, é algo indiscritível, mágico. Coimbra também sempre bela, dividida entre os dois mundos da baixa e da Praça da República.
     Depois foi o trabalho que fui fazer, e o encontro com a extraordinária abnegação dos amigos/colegas, que me ajudaram a levar a cabo esse trabalho. O conseguir juntar 3 pessoas que há mais de 10 anos não trabalhavam juntas, e de uma importante quarta pessoa, que dedicou o seu dia de aniversário para trabalhar connosco. Tudo isso deixou-me sem palavras, nem gestos de gratidão. A seu tempo, caros leitores, saberão do quê e de quem estou a falar.
     A noite de Ano Novo, passada inesperadamente em casa da Lígia, que foi DJ do lendário Frágil, durante anos a fio, foi do melhor! Passar o ano no Bairro Alto, a ouvir a melhor música de dança possível, Lígia no seu melhor!
     Na penúltima noite, após um jantar de trabalho, fui presenteado com a volta a casa dos meus pais, em cacilheiro. Os 10 minutos da travessia pareceram-me eternos de tantas memórias que me suscitaram, de outras tantas viagens, a ver as luzes dos barcos ao longe, o marulhar das ondas junto ao casco do barco, Lisboa a afastar-se, mostrando a Rua do Alecrim até ao Camões, e o Terreiro do Paço meio de esguelha, com a sua imponência reduzida por uma ridícula àrvore de natal gigantesca. Na margem-sul, de Alcochete a Almada, as pequenas luzes parecem espectadores do grande luzeiro que é Lisboa. De repente, por cima do Terreiro do Paço, vejo surgir a Sé, o Castelo de S. Jorge, e mais atrás o Panteão e S. Vicente de Fora. Magnífico! Por muitos anos que veja esta paisagem, nunca me cansarei. Assim como ver o Porto desde Gaia, ou Coimbra desde o Portugal dos Pequeninos, ou tantas outras maravilhosas paisagens do nosso país.
     A última noite foi passada, também com amigos/colegas no Musicais, vendo-os fazer um tributo aos Led Zeppelin, e aí encontrei ainda mais amigos/colegas, alguns que já não via há muitos anos.
     Nem as atribulações causadas pela incompetência do pessoal do aeroporto no dia seguinte, conseguiram diminuir a luz que luzia em mim ao voltar para casa.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Degelo esperado para breve

É só para dizer que espero estar para breve o degelo da Burra. Desde que cheguei de Portugal, nem deixaram a bola tocar no chão! Tem sido uma roda viva de trabalho, como podem constatar no recém-criado calendário. Qualquer dia entro em casa e não me conhecem, e chamam a polícia. Agradeço do coração o carinho e paciência dos visitantes deste blog. Não por falta do que dizer, é mesmo falta de tempo.

terça-feira, outubro 25, 2005

Politicamente (In)Correcto (a tão esperada e ansiada continuação)

Muitos devem pensar que o politicamente correcto é coisa dos nossos dias, mas enganam-se. A coisa já se vem desenvolvendo há séculos. E passo a elucidar num historial do politicamente correcto.

Muita gente estará convicta que a abolição da escravatura se deveu à constante luta dos chamados “homens de boa vontade”. Errado! O êxito desse movimento deve-se exclusivamente a propósitos económicos. Como? Os escravos tinham tanto valor como o gado, e qualquer criador de gado sabe que custa muito manter o gado em perfeitas condições de saúde, bem alimentado e bem cuidado, para que a sua rentabilização possa ser efectiva. A diferença é que um escravo podia ser muito mais autónomo que um burro ou uma vaca. Nessa época, a Revolução Industrial ia já a passos largos nos países tecnologicamente mais avançados (daí a serem os primeiros a abolir a escravatura). A equação era simples: em vez de se manter um sem-número de escravos, seria mais rentável que os tivessem trabalhando igualmente nas mesmas condições degradantes, pagando salários miseráveis, mas pelo menos os escravos cuidavam-se a si mesmos. Aí nasceu o proletariado. Como a tecnologia já ia proporcionando máquinas capazes de fazer o trabalho de vários homens, não eram precisos tantos homens para o trabalho. Obviamente que nos países, ou zonas de países mais agrícolas do que industriais, a coisa demorou bastante mais. Daí a guerra da Secessão nos Estados Unidos, e daí países europeus como Portugal e Espanha serem dos últimos a abolir a escravatura.

Mais tarde vieram as sufragistas, a quem não foi dado o direito de voto pelo ideal dos direitos das mulheres, mas sim porque servia os interesses dos partidos políticos, quando já se desenhava o que seriam as pseudo-democracias de hoje.

Com as duas guerras mundiais, foi necessário sacar as mulheres de casa, para manterem os países a funcionar, enquanto os homens iam guerrear. E com isso se verificou que as mulheres eram tão ou mais capazes do que os homens para fazer o mesmo trabalho. Com o fim das guerras, mandaram de novo as mulheres para casa, que obviamente não ficaram muito contentes com o assunto, e demoraram uma série de décadas até conseguirem sair de novo, pelo seu próprio pé. Mas conseguiram mesmo? Conseguiram na verdade um lugar equiparado? Então porque é que em regra geral uma mulher ganha substancialmente menos do que um homem na mesma categoria profissional, e com as mesmas competências e responsabilidades? E porque é que, regra geral, observo que as mulheres que “triunfam” no mercado laboral, em vez de aportar algo de novo, simplesmente se comportam como homens? Com a agressividade, frieza e calculismo inerentes.

Tal qual como após as lutas raciais nos Estados Unidos nos anos 60, verifico que os negros que triunfaram na sociedade norte-americana, o conseguiram porque se transformaram em brancos, sem contribuir em nada da sua cultura ao status quo. Os melhores exemplos são Condoleeza Rice, e Colin Powell.

O mesmo processo da abolição da escravatura, passou-se mais tarde com as descolonizações. Os ataques que Portugal recebeu na ONU (merecidos, sem dúvida), no tempo de Salazar, mascaravam a vergonhosa realidade de que também os outros países queriam “meter a unha”, no que era na altura as “províncias ultramarinas”, o que mais tarde se veio a verificar, com as guerras civis em Angola e Moçambique, que só puderam eternizar-se graças aos apoios estrangeiros (a troco de muita coisa, obviamente). Por conseguinte ninguém estava verdadeiramente preocupado se os povos dessas colónias estavam a ser colonizados ou não.

Vê-se ainda hoje, o que deu a descolonização europeia em Àfrica. Inventaram países que nunca existiram, cortados a régua e esquadro, completamente dependentes de tudo, com um nível de vida extremamente precário, que origina a emigração em massa para a Europa, onde se arrisca a vida numa cerca de arame farpado, por um pedaço de pãp, e uma vida um pouco mais digna. Pois é, até a dignidade lhes foi tirada, aos africanos e a quase todos os países chamados do terceiro mundo. E agora vêm as beneméritas ONG’s fazerem aquilo que eles pensam ser o melhor para esses povos. Ajudar o terceiro mundo com os critérios do primeiro.

Desculpem-me os leitores o linguajar, mas.........não me fodam!!!!!

Cada vez que alguma instituição me vem com uma cantilena qualquer de algo que é para o meu bem, começo logo a preparar o orifício anal, e a vaselina, porque sei que vou ter que aguentar algum outro “supositório”, para o bem de todos.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Politicamente (In)Correcto

É que já não há cu que aguente! Mãe, se estás a ler isto aviso-te já que segues por tua conta e risco!

JÁ NÃO AGUENTO MAIS O POLITICAMENTE CORRECTO!!!!!!!!!!!!!!!!

Quanto mais politicamente correcta se torna a sociedade, mais necessidade sinto de dizer caralhadas, e de verbalmente encher as mãos de merda e esfregá-las na parede! O politicamente correcto é o estado mais vil e cínico a que chegou esta sociedade! Dum snobismo à prova de bala! O parecer bem, o ficar bem, o dizer bem, o fazer o bem, denota a mais baixa condição moral humana! Durante séculos as coisas e as pessoas sempre tiveram os seus lugares nas sociedades humanas, e agora de repente toda a gente é boazinha! Os poderosos sempre foram poderosos, e para se manterem poderosos sempre se apoiaram nos que sempre foderam e sempre foram fodidos. Mas na era do politicamente correcto, toda a gente vive na grande mentira de que toda a gente tem as mesmas hipóteses à partida. Para começar, a lei da selva que tanto horroriza o politicamente correcto, é a lei da natureza: há quem esteja mais acima na cadeia alimentar, há quem esteja mais abaixo, mas imperetrivelmente todos e tudo tem o seu sítio, e os humanos não escapam à regra, por mais que o tentem mascarar. É cruel convencer os cidadãos duma suposta democracia, que têm direito a decidir, quando não se lhes põe diante verdadeiras alternativas credíveis. É cruel convencer um pobre de que se trabalhar muito vai ser alguém na vida. É cruel um artista pop ir a um país do 3º mundo tirar a fotografia com um indígena (de preferência criança), dando-lhe a ilusão de que a sua vida melhorará substancialmente depois da partida do dito cujo. É cruel o politicamente correcto. O politicamente correcto é uma tentativa de que os outros não pensem que pensamos aquilo que verdadeiramente pensamos. È um branqueamento de imagem e intenções. É uma palhaçada mórbida que causa danos irreversíveis à sociedade!

Noutro dia vi num blog amigo a referência a um artista “afro-americano”. O que é isso? Isso existe na realidade? Existem também afro-europeus, afro-asiáticos e afro-oceânicos? Ou é um americano com um penteado afro? Ah, é porque é um americano negro! E de que país é que ele é, já agora? Canadá, Colombia, Argentina? Então e se for americano, mas de descendência marroquina, argelina, tunisina, líbia, ou egípcia? Que eu saiba também são países africanos, cuja raça predominante não é a negra. Que parvoíce é esta? Os vagabundos são sem-abrigo, os almeidas são técnicos de salubridade, os tísicos são portadores de doença infecto-contagiosa, os moinantes são delinquentes, as mulheres-a-dias e as sopeiras são empregadas domésticas, os maricas são homossexuais, os coscuvilheiros são jornalistas e os filhos-da-puta são governo. Andam a gozar com o pagode, ou quê?

Tem continuação............

Filosofia de Emilio

Chegou-me ao meu email uma mensagem com uma série de frases “filosóficas”, e algumas (sabe-se lá porquê) achei dignas de nota, e de reflexão. E passo a citar:


-“A facilidade de falar é quase sempre devida à incapacidade de estar calado”

-“Os políticos são como as fraldas do bebés. Necessitam ser mudados frequentemente, e pelas mesmas razões”

-“Não se deve maltratar as mulheres! A natureza encarrega-se disso à medida que o tempo passa” (Com os homens passa o mesmo)

-“A forma das pirâmides do Egipto demonstra eloquentemente que já nessa época havia tendência para os trabalhadores produzirem cada vez menos”

-“Diz a alguém que há 300 milhões de estrelas no universo e acreditará, mas se lhe disseres que a tinta não está seca, terá necessidade de verificar com o dedo”

quinta-feira, outubro 20, 2005

Acorda, Lerdo!

Aqui há 2 anos, nos camarins do Barbican Center, em Londres, veio-me ter à mão, sem dono, o livro Awakening (se estiver traduazido para português, a tradução talvez seja Despertar), um livro inquietante de Anthony de Mello. O dito cujo era um psicólogo jesuíta, que pela sua postura, não sei se resistiria no presente pontificado, e nem sei como é que a Santa Madre que os pariu lá do Vaticano nunca lhe deu com o xanato no traseiro, pois aquilo que o rapaz advogava, noutros tempos da fidalguia, dar-lhe-ia oportunidade de fazer companhia aos carapaus no braseiro, como o Giordano Bruno. Além do mais as suas amizades eram pouco recomendáveis, pois era íntimo de vários místicos e teólogos de várias religiões e filosofias espirituais. Claro que isso para mim tem a maior simpatia, e o facto de isso provocar uma severa irritação no escroto do santo padre, quase que o amei. É uma livro que recomendo às mentes mais inquietas. Já vou na terceira leitura, a modos de Tai-Chi-Chuan. Vem-me à memória uma frase que um colega meu em Itália me escreveu na agenda escolar, no fim do curso:”L’importante é che la morte ci trovi vivvi!”