quinta-feira, maio 04, 2006

Swing No Pé


E a princesinha fez-se rainha!! Finalmente consegui comprar o último disco de Sara Tavares, e desde então tem sido audição obrigatória quase todos os dias, cá em casa. E quanto mais o ouço, mais gosto. Este disco tem o raro efeito em mim, de não gostar mais de um tema do que de outro, mas sim do disco todo! Quando começo a ouvi-lo, tenho que o ouvir até ao fim, e se tenho que interromper por alguma razão, fico com pena de não ouvir o resto.
Sara Tavares é daqueles seres mágicos descritos nas mitologias. Uma vez que se cruza no nosso caminho é impossível esquecer o impacto. E quando se analisa o porquê desse impacto, chega-se à conclusão que nada se passou de especial, ela apenas É assim. Quem teve o previlégio de privar com ela, sabe do que estou a falar. Sara vive da sua própria luz, como dizia Djavan numa canção, um sol interior que resplandece e toca tudo e todos à sua volta. E isso está patente neste disco. Eu poderia traçar longas críticas teoricas sobre a maneira como ela compôs, arranjou e produziu este disco (tudo feito por ela), mas seria absolutamente ridículo e inútil. É tudo emoção, intuição, amor, fé fluindo pelas vozes e instrumentos com uma maestria tão natural e fluida que é impossível imaginar os temas de outra maneira. Como compositor, arranjador e produtor, cada vez que ouço o disco aprendo uma lição nova.
Além de tudo isto, Sara conseguiu uma coisa que eu acho bastante notável, e que acredito que não foi de maneira alguma intencional. Materializar aquilo que eu ando a falar há mais de vinte anos: a riqueza cultural da lusofonia. Sempre defendi que Lisboa tem uma situação previlegiada para dar corpo a essa riqueza cultural e mostrá-la ao mundo. Mas infelizmente Portugal continua desde há muitos anos a ser dirigido por “velhos do Restelo”, que ignoram as culturas crioulas resultantes do antigo império. Não sei se alguém já reparou, mas os brasileiros não têm muito a ver com o resto dos sulamericanos, nem os angolanos, moçambicanos, sãotomenses e caboverdianos com o resto dos africanos, nem os goeses com o resto dos indianos. De resto, nem sequer os portugueses com o resto dos europeus. Existe uma idiossincrasia resultado de meio milénio de convivências. Existe por si só, ainda que os “velhos do Restelo” a ignorem. Talvez por causa desses “velhos do Restelo” é que este disco da Sara saiu através de uma editora holandesa, editora essa que teve a coragem de delegar numa artista com menos de 30 anos, e pouco conhecida fora de Portugal, a responsabilidade de produzir o seu próprio disco. E não se arrependeu! Não conheço em Portugal nenhuma editora que o fizesse, ou melhor, mesmo fora de Portugal, não estou a ver, no panorama actual, qual a editora que o fizesse. E esse facto faz-me também dar os parabéns à World Connection, por ter arriscado desta maneira. Foi uma escolha inteligente, ao velho estilo daquilo que se fazia há 30 anos atrás: confiar nos artistas que se contractava, e pôr-lhes meios à disposição para criarem. Dessa política sairam discos de referência ainda hoje, passados 30 anos. E hoje, graças a essa política, Balancê é um sério candidato a disco de referência, também. Já o é, para mim. Só não entendo a estupidez de contrariar esta política editorial, pois afinal é a mais natural, porque foi para isso que as editoras se criaram.

Europeus?

“- Os portugueses, europeus?- Riu-se com mansidão – Nunca foram. Não o eram antes e não o são hoje. Quando conseguirem que Portugal se transforme sinceramente numa nação europeia o país deixará de existir. Repare: os portugueses construíram a sua identidade por oposição à Europa, ao Reino de Castela, e como estavam encurralados lançaram-se ao mar e vieram ter aqui, fundaram o Brasil, colonizaram Àfrica. Ou seja, escolheram não ser europeus” José Eduardo Agualusa in “Um Estranho em Goa”

terça-feira, abril 25, 2006

25 de Abril..........Sempre?

Recebi há dias no meu email uma mensagem com o texto que se segue. Exponho-o aqui, não por concordar, ou não com ele, mas apenas para dar-vos a conhecer uma outra visão da coisa, e deixar-vos comentar ou não. Também não estou 100% seguro da autoria do mesmo, apenas o exponho, tal qual me chegou. Bom feriado a todos.



O 25 DE ABRIL E A HISTÓRIADe: António José Saraiva Se alguém quisesse acusar os portugueses de cobardes, destituídos de dignidade ou de qualquer forma de brio, de inconscientes e de rufias, encontraria um bom argumento nos acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril.Na perspectiva de então havia dois problemas principais a resolver com urgência. Eram eles a descolonização e a liquidação do antigo regime.Quanto à descolonização havia trunfos para a realizar em boa ordem e com a  vantagem para ambas as partes: o exército português não fora batido em campo de batalha; não havia ódio generalizado das populações nativas contra os colonos; os chefes dos movimentos de guerrilha eram em grande parte homens de cultura portuguesa; havia uma doutrina, a exposta no livro Portugal e o Futuro do general Spínola, que tivera a aceitação nacional, e poderia servir de ponto de partida para uma base maleável de negociações. As possibilidades eram ou um acordo entre as duas partes, ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem, isto é, escalonada e honrosa.Todavia, o acordo não se realizou, e retirada não houve, mas sim uma debandada em pânico, um salve-se-quem-puder. Os militares portugueses, sem nenhum motivo para isso, fugiram como pardais, largando armas e calçado, abandonando os portugueses e africanos que confiavam neles. Foi a maior vergonha de que há memória desde Alcácer Quibir. Pelo que agora se conhece, este comportamento inesquecível e inqualificável deve-se a duas causas. Uma foi que o PCP, infiltrado no exército, não estava interessadonum acordo nem numa retirada em ordem, mas num colapso imediato que fizesse cair esta parte da África na zona soviética. O essencial era não dar tempo de resposta às potências ocidentais. De facto, o que aconteceu nas antigas colónias portuguesas insere-se na estratégia africana da URSS, como os acontecimentos subsequentes vieram mostrar. Outra causa foi a desintegração da hierarquia militar a que a insurreição dos capitães deu início e que o MFA explorou ao máximo, quer por cálculo partidário, quer por demagogia, para recrutar adeptos no interior das Forças Armadas. Era natural que os capitães quisessem voltar depressa para casa. Os agentes do MFA exploraram e deram cobertura ideológica a esse instinto das tripas,  justificaram honrosamente a cobardia que se lhe seguiu. Um bando de lebres espantadas recebeu o nome respeitável de «revolucionários». E nisso foram ajudados por homens políticos altamente responsáveis, que lançaram palavras de ordem de capitulação e desmobilização num momento em que era indispensável manter a coesão e o moral do exército para que a retirada em ordem ou o acordo fossem possíveis. A operação militar mais difícil é a retirada; exige em grau elevadíssimo o moral da tropa. Neste caso a tropa foi atraiçoada pelo seu próprio comando e por um certo número de políticos inconscientes ou fanáticos, e em qualquer caso destituídos de sentimento nacional. Não é ao soldadinho que se deve imputar esta fuga vergonhosa, mas dos que desorganizaram conscientemente a cadeia de comando, aos que lançaram palavras de ordem que nas circunstâncias do momento eram puramente criminosas.Isto quanto à descolonização, que na realidade não houve. O outro problema era da liquidação do regime deposto. Os políticos aceitaram e aplaudiram a insurreição dos capitães, que vinha derrubar um governo, que segundo eles, era um pântano de corrupção e que se mantinha graças ao terror policial: impunha-se, portanto, fazer o seu julgamento, determinar as responsabilidades, discriminar entre o são e o podre, para que a nação pudesse começar uma vida nova. Julgamento dentro das normas justas, segundo um critério rigoroso e valores definidos.Quanto aos escândalos da corrupção, de que tanto se falava, o julgamento simplesmente não foi feito. O povo português ficou sem saber se as acusações que se faziam nos comícios e nos jornais correspondiam a factos ou eram simplesmente atoardas. O princípio da corrupção não foi responsavelmente denunciado, nem na consciência pública se instituiu o seu repúdio. Não admira por isso que alguns homens políticos se sentissem encorajados a seguir pelo mesmo caminho, como se a corrupção impune tivesse tido a consagração oficial. Em qualquer caso já hoje não é possível fazer a condenação dos escândalos do antigo regime, porque outras talvez piores os vieram desculpar.Quanto ao terror policial, estabeleceu-se uma confusão total.Durante longos meses, esperou-se uma lei que permitisse levar a tribunal a PIDE-DGS. Ela chegou, enfim, quando uma parte dos eventuais acusados tinha desaparecido e estabelecia um número surpreendentemente longo de atenuantes, que se aplicavam praticamente a todos os casos. A maior parte dos julgados saiu em liberdade. O público não chegou a saber, claramente; as responsabilidades que cabiam a cada um. Nem os acusadores ficaram livres da suspeita de conluio com os acusados, antes e depois do 25 de Abril.Havia, também, um malefício imputado ao antigo regímen, que era o dos crimes de guerra, cometidos nas operações militares do Ultramar. Sobre isto lançou-se um véu de esquecimento. As Forças Armadas Portuguesas foram alvo de suspeitas que ninguém quis esclarecer e que, por isso, se transformaram em pensamentos recalcados. Em resumo, não se fez a liquidação do antigo regímen, como não se fez a descolonização. Uns homens substituíram outros, quando os homens não substituíram os mesmos; a um regímen monopartidário substituiu-se um regímen pluripartidário. Mas não se estabeleceu uma fronteira entre o passado e o presente. Os nossos homens públicos contentaram-se com uma figura de retórica: «a longa noite fascista». Com estes começos e fundamentos, falta ao regime que nasceu do 25 de Abril um mínimo de credibilidade moral. A cobardia, a traição, a irresponsabilidade, a confusão, foram as taras que presidiram ao seu parto e, com esses fundamentos, nada é possível edificar. O actual estado de coisas, em Portugal, nasceu podre nas suas raízes. Herdou todos os podres da anterior; mais a vergonha da deserção. E com este começo tudo foi possível depois, como num exército em debandada: vieram as passagens administrativas, sob capa de democratização do ensino; vieram «saneamentos» oportunistas e iníquios, a substituir o julgamento das responsabilidades; vieram os bandos militares, resultado da traição do comando, no campo das operações; vieram os contrabandistas e os falsificadores de moeda em lugares de confiança política ou administrativa; veio o compadrio quase declarado, nos partidos e no Governo; veio o controlo da Imprensa e da Radiotelevisão, pelo Governo e pelos partidos, depois de se ter declarado a abolição da censura; veio a impossibilidade de se distinguir o interesse geral dos interesses dos grupos de pressão, chamados partidos, a impossibilidade de esclarecer um critério que joeirasse os patriotas e os oportunistas, a verdade e a mentira; veio o considerar-se o endividamento como um meio honesto de viver. Os cravos do 25 de Abril, que muitos, candidamente, tomaram por símbolo de uma primavera, fanaram-se sobre um monte de esterco.Ao contrário das esperanças de alguns, não se começou vida nova, mas rasgou-se um véu que encubra uma realidade insuportável. Para começar, escreveu-se na nossa história uma página ignominiosa de cobardia e irresponsabilidade, página que, se não for resgatada, anula, por si só todo o heroísmo e altura moral que possa ter havido noutros momentos da nossa história e que nos classifica como um bando de rufias indignos do nome de nação. Está escrita e não pode ser arrancada do livro. É preciso lê-la com lágrimas de raiva e tirar dela as conclusões, por mais que nos custe. Começa por aí o nosso resgate. Portugal está hipotecado por esse débito moral, enquanto não demonstrar que não é aquilo que o 25 de Abril revelou. As nossas dificuldades presentes, que vão agravar-se no futuro próximo, merecemo-las, moralmente. Mas elas são uma prova e uma oportunidade. Se formos capazes do sacrifício necessário para as superar, então poderemos considerar-nos desipotecados e dignos do nome de povo livre e de nação independente. António José Saraiva

segunda-feira, abril 24, 2006

Diada de Sant Jordi

Ontem celebrou-se uma das tradições mais bonitas da Catalunha: o dia de Sant Jordi (S.Jorge). Padroeiro da Catalunha. O dia de Sant Jordi não é apenas a celebração do padroeiro da Catalunha, mas é o equivalente ao dia dos namorados, e a tradição manda que elas ofereçam a eles um livro, e que eles ofereçam a elas uma rosa. Uma rosa por um livro, ou um livro por uma rosa. Pode parecer piegas ou saloio, mas eu acho esta tradição bonita.

terça-feira, março 28, 2006

Animalidades

     Não gosto de touradas! Acho um espectáculo abjecto, sem sentido, senão o da sacralização da virilidade à custa do sofrimento alheio. Acontece com muitos automobilistas, e com o exército norte-americano, também. Sempre achei o circo um espectáculo patético, e muito mais com os pobres animais amestrados. Lembro-me da primeira vez que fui ao Jardim Zoológico, e de quando parei em frente ao célebre elefante do sino, olhar os seus olhos e sentir a sua humilhação resignada, mas também de sentir que ali havia vida. Vida com vontade própria, com alma, ainda que amordaçada. Com alma, sim, pois segundo a etimologia da palavra animal, provém do latim anima, que é a raiz da palavra alma.
     Mais tarde li que os teósofos, que defendem a teoria da reencarnação, crêem que os animais pertencem a almas-grupo, ou seja, que cada espécie pertence a uma alma comum, e cada reencarnação aporta a experiência da sua existência encarnada ao resto do grupo da alma. Também defendem que o que diferencia o homem dos outros animais, não é a inteligência, mas sim a consciência. Da inteligência temos tido cada vez mais provas, de que é cada vez menos um exclusivo humano. Da consciência, eu mesmo suspeito que também não.
     Hoje em dia considero-me uma pessoa incapaz de fazer mal a uma mosca.............literalmente, e no sentido budista do respeito por todas as formas de vida. Não, não sou budista, apenas tento ser coerente com aquilo que acredito, e acredito que uma mosca não merece morrer por ser mosca, assim como um touro não merece sofrer e morrer na arena, por ser touro. Nem uma foca merece morrer por ser foca e haver muitas. Segundo dizem também começa a haver demasiados seres humanos, e ninguém pratica o genocídio sob essa razão (outras igualmente estúpidas e crueis, sim). Mas antes de me considerar pessoa, homem, humano ou mamífero, sou um animal como outro qualquer. Existem outras diferenças entre os humanos e as outras espécies. Os humanos trabalham, os humanos matam-se em massa entre si, os humanos passam a vida buscando desesperadamente uma segurança ilusória com o fim de ignorar a inevitabilidade da morte. Os humanos quase sempre escolhem a pior alternativa para a liderança do seu grupo, os humanos têm sérias dificuldades de se integrarem no seu grupo, e tudo se processa numa aprendizagem anti-natural, os humanos julgam-se os donos do mundo. Os humanos matam outros animais para fins que não são o da alimentação de sobrevivência. Os humanos não se preocupam com a sobrevivência da sua própria espécie, mas sim do da sua própria classe dentro da espécie. Os humanos atribuem à palavra humano um sentido que pouco tem a ver com a realidade do que é um ser humano, mas sim do que todos gostariam que fosse. Os humanos dormem melhor quando se preocupam pelas grandes catástrofes humanitárias ou ecológicas, mas em nada alteram o seu quotidiano para que essas catástrofes não aconteçam. No entanto pensam em si mesmos como pessoas melhores do que as outras. Os humanos são extremamente arrogantes, quer quando o demonstram claramente, quer quando mais perigosamente o disfarçam. E por causa desse narcisismo delirante, o ser humano confia aos seus deuses o futuro da sua espécie, através das suas orações, livrado-se assim da sua quota-parte de responsabilidade, e podendo de novo, de alma limpa, sentir-se extremamente bem dentro da sua pele. Sim, o ser humano também é cínico! E cego! Cego porque apenas quer ver com os olhos de ver, e não com os de sentir, e assim afasta da sua vista tudo o que não quer ver, como a dona de casa badalhoca que varre o lixo para debaixo do tapete. Olhos que não vêem...

     Tudo isto veio a propósito de uma posta do Cobre & Canela. Não acredito no fim do mundo, pois a Natureza é muito mais poderosa e sábia que todos os humanos juntos (basta relembrar quantos desastres naturais houveram nos últimos 2 anos). Mas começo a crer no fim da espécie humana, através do suicídio. No entanto, como diz um querido amigo meu "Se se entende, as coisas são como são. Se não se entende, as coisas são como são."

sexta-feira, março 10, 2006

Amigos das Cantigas


Segundo o que disse o amigo Rogério Charraz, parece que este disco está de novo à venda, ou "ainda está" à venda (quiça restos de stock). Para aqueles que ficaram de beiço pendurado por não ter tido oportunidade de ficar com uma cópia quando foi editado (há precisamente 6 anos), talvez tenham agora oportunidade de adquirir aquele que foi o disco mais importante para mim até agora. Foi um curso acelerado de produção musical e executiva. Tudo tenho a agradecer ao Moz Carrapa e ao Jorge Avillez, principalmente, por me terem aturado e ajudado durante os 3 meses de trabalho de estúdio. Tenho também tudo a agradecer à minha família que me aturou e aguentou durante os 9 meses que durou o "parto" deste disco. Tenho também tudo a agradecer aos músicos que puseram o seu esforço e talento ao serviço deste disco.  Posted by Picasa

terça-feira, fevereiro 28, 2006

A Página do Trabuquir (Rectificação)

Afinal, parece que os comentários da web do MySpace só são possíveis a quem já é membro do dito cujo. Como tal, “embuido” pelo mais alto espírito democrático, e não querendo forçar ninguém a inscrever-se no tal sítio (site em inglês), venho rectificar a anterior posição, e dizer a todos os que desejem comentar, que o podem fazer através da Burra. Pois é, nem tudo são flores, e os chavalos do MySpace estão na deles. Peço desde já desculpa aos que tentaram debalde deixar algum comentário lá. Como dizia a Mafalda (a do Quino): “A vida moderna, tem mais de moderna do que de vida”

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Visca Barça!!!!!


Não me lembro de uma equipa de futebol me emocionar tanto como este Barça, desde que a nossa selecção perdeu pela mão (extremamente dúbia) de Abel Xavier. E fazem-me recordar porque é que o futebol move paixões. Neste caso, o jogo da noite passada contra o Chelsea, significava muito mais do que a classificação para os quartos de final. Significava o calar a boca a um palhaço arrogante. "Pela boca morre o peixe", diz-se, e por muito bom treinador que seja, José Mourinho perde ocasiões de ouro de estar calado, ao fazer certas declarações rufias, desprezando os adversários. Pode ser que a massa associativa do Chelsea goste disso, mas fica-lhe muito mal, como fica a qualquer pessoa com a sua postura.
Nem a jogada baixa do polémico atraso da mudança da relva do campo o salvou. Na verdade estava uma vergonha! Um campo que mais parecia o de um jogo de solteiros e casados, do que o de uma competição europeia. O FC Barcelona "vine, vidi, vici". E foi um gostinho ver a cara de cu com que ficou o Mourinho ao ver as sucessivas rabetas que levava a sua equipa, apesar do esforço meritório. Uma ultima ressalva: o Barça podia ter disfarçado um pouco mais o "queimar-tempo" dos últimos minutos, além de ter perdido ocasiões de ouro para fazer o Chelsea "embolsar" uns quantos golos mais.
O prezado leitor deve estar surpreendido por me ver a comentar futebol, mas eu também gosto, e na verdade, é impossível ficar indiferente ao Barça. Não é por ter 3 ou 4 craques simpáticos, é porque realmente é uma equipa que funciona muito bem, e tem uma simbiose quase perfeita com o treinador. E ver uma equipa a jogar assim, dá gosto! Visca Barça!!! Posted by Picasa

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Página do Trabuquir

A Burra tem sido, e continuará a ser o meu sítio de divagações, desabafos, histerias e outras parvoíces. No entanto, venho fazer público, que lancei uma primeira pedra de uma web dedicada exclusivamente ao meu trabalho. Quem se importe com isso, ou tenha um incontrolável espírito bisbilhoteiro, dê uma saltada , e diga de sua justiça, se for o caso. Peço desde já que mantenham as coisas separadas (para não haver confusões). Se lhes apetece comentar a web, comentem lá! A Burra não gosta de ser incomodada com o meu trabalho. Há também uma ligaçãozinha no fim da lista das "Ligações Perigosas". O sítio (site em inglês) ainda não está a 100%, mas ando a trabalhar na coisa. De momento também tem blog, embora só lá tenha uma pequena nota redundante, mas que serve para dar largas ao meu carácter exibicionista como poliglota.

Grato pela vossa atenção

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Banha Na Carola

Foi-me enviado este email, pelo meu amigo Moz Carrapa (ver A Corveia), e não resisto partilhá-lo convosco. Bom apetite.




OBESIDADE MENTAL O prof. Andrew Oitke publicou um livro polémico: «Mental Obesity»,que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informaçãoe conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comunsque de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos,juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas.Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.Os cozinheiros desta magna fast food intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e políticos, os romancistas e realizadores de cinema.Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»O problema central está na família e na escola.«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma«alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance,violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma:«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamentede cadáveres de reputações, de detritos de  escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.»O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante,para se centrarem apenas no lado polémico e chocante.«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy.Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve.Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê.Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto.As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras. «Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia.Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.Precisa sobretudo de dieta mental : COM QUALIDADE.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Outra Leitura

Facto 1 – Parece que as tais caricaturas surgiram numa publicação ultra-conservadora.
Facto 2 – Parece que o Imã de Copenhaga insurgiu-se directamente contra o governo dinamarquês, em vez de exigir desculpas públicas à tal publicação, nem apresentar queixa-crime por infâmia, e imediatamente enveredou por uma cruzada em busca de apoios à sua indignação
Facto 3 – Parece que os criacionistas norte-americanos já fizeram recentemente críticas mais duras e mordazes ao Islão, e não se levantaram tantas vozes discordantes.
Facto 4 – Tudo isto acontece quando o Irão e o seu programa nuclear estão em debate nas Nações Unidas. E também com um endurecimento religioso dos apoiantes de Bush, coincidindo com uma grande baixa da sua popularidade.
Facto 5 – Não há registo de qualquer tipo de manifestação da imensa comunidade muçulmana nos Estados Unidos.

Meus amigos.............isto cheira-me a esturro!!

A Caricatura da Sociedade

     Tenho normalmente uma simpatia pelos dinamarqueses, e pelos nórdicos em geral, que apesar de serem um pouco toscos, são pessoas geralmente simpáticas e inteligentes, e com bastante sentido de humor. Mas nesta história das caricaturas, acho que a inteligência pouco os ajudou. Realmente a Sandra Feliciano deve ter razão, e ando um pouco desatento, pois só me dei conta da história ontem. Mas voltando à história. Parece que o exemplo da reacção do Islão ao livro “Versículos Satânicos” de Salman Rushdie, anda um pouco esbatido na memória do pessoal. E da maneira como andam as coisas pelo mundo islâmico (com ou sem razão, não é isso que se discute aqui), publicar as tais caricaturas, é decididamente “cutucar a onça com vara curta”, como dizem os brasileiros. Foi realmente uma estupidez provocar gratuitamente a ira de uma parte importante da população mundial, sobejamente conhecida por não ter muito sentido de humor no que toca a assuntos religiosos, entre outros. E digo isto com algum conhecimento de causa, pois vivo num bairro de maioria muçulmana, onde provavelmente me terei que confrontar com algumas das acções de protesto, além de ter dado aulas a muçulmanos, também.
Esta posta vem na sequência de ter recebido um email com um texto publicado no blog Combustões, na base do “Mata o Mouro!!!”(onde não há direito a comentários, o que pode ter várias leituras), e que me incomodou o suficiente para escrever estas linhas. Não conheço o autor do texto em causa, mas parece-me uma pessoa com um certo eruditismo, e algum conhecimento histórico. Pena é que desse conhecimento histórico, só se lembre das negras façanhas dos muçulmanos, e não das dos europeus, e recordando as grandes contribuições dos europeus à civilização mundial, se esqueça das do Islão. Mas se tem fraca memória, ou memória selectiva, recordo aqui que a finais do primeiro milénio, aurora do segundo, o califato de Córdoba, era o farol da civilização mais avançada da época, tanto em termos tecnológicos, como em termos artísticos, contrastando enormemente com a grunharia que era a Europa Cristã. Se não fossem os àrabes, ainda andávamos a fazer contas em numeração romana (que dá tanto jeito com catar pulgas com uma luva de boxe), e que sem os conhecimentos de navegação àrabes, os portugueses nem sequer tinham chegado às Berlengas. Que no sul da Península Ibérica as povoações têm ruas onde a largura se vai alterando, e com isso provoca diferentes pressões de ar, fazendo o ar circular. Além de terem plantado laranjeiras na via pública, que ao mesmo tempo que mata a sede e a fome aos mais desafortunados, perfumava as ruas num tempo em que o saneamento básico era desconhecido.
Quero deixar bem claro, que não estou a fazer a apologia do mundo islâmico, e do seu mondus vivendi et operandi, mas parafraseando a grande frase do filme Spiderman “Um grande poder, acarreta grande responsabilidade”, e há que saber realmente do que é que se está a falar. E parece-me a mim que os europeus, tal como Napoleão, nos coroámos imperadores da razão, e tão cegos estamos com a luz que irradia do nosso idílico e paradisíaco mundo, que com toda a soberba e arrogância, queremos julgar e obrigar civilizações diferentes à nossa, a pensar e agir da mesma maneira que nós. Afinal onde é que está o tal politicamente correcto? Onde está o tal respeito pela diferença que tanto apregoamos? Sim, são apenas umas vulgares caricaturas que nos fazem esboçar um sorriso.........PARA NÓS!!!! Se isso ofende outras pessoas, que se lixem?? É essa a postura de uma sociedade dita moderna, tolerante e progressista? Não me parece. Mas também eu sou um mero plebeu europeu, que se aproveita da dita liberdade de expressão, para dar a minha opinião que ninguém pediu. No entanto, tenho abertura suficiente para permitir aos outros que contestem essas opiniões, dando-lhes a possibilidade de comentar. Não privo ninguém do direito de resposta, com receio de ler aquilo que não me convém.
Uma pequena ressalva, ainda acerca do post do blog Combustões: como estudante que fui, e amante que sou da História, aprendi que é perfeitamente obtuso e absurdo descontextualizar os feitos do passado, e trazê-los para o presente, para assim julgá-los e servir de suporte a uma qualquer teoria que nos apeteça. No entanto, reconheço que deve fazer com que nos sintamos melhor connosco próprios.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

A Burra a Dar Música!!

Através do blog do amigo Rogério Charraz, tomei conhecimento da existência do blog do dr. Júlio Machado Vaz, que penso dispensa apresentações. Confio que muitos de vocês, como eu, se colaram ao ecrã da 2, semana após semana, a ouvir este homem que, pela primeira vez no nosso puritano país, chamava os bois pelos nomes em matéria de sexo. Acho que grande parte de nós lhes estamos agradecidos, dr. Júlio, nem que seja pelo doce despudor com que nos explicava, coisas que até pennsávamos saber, e afinal nem por isso.
Bom, acontece que o blog do dr. Júlio (O Murcon) tem música!!!! E como a inveja é uma merda, mas serve-nos de motor para muita coisa, lembrei-me que há uma série de anos, nos princípios do Cotonete, eu tinha feito uma rádio, da qual já nem me lembrava da password. Fui ao site, e depois de algumas tentativas frustradas, lá me lembrei da password, e entrei naquilo que eu pensava desaparecido para sempre no cyberespaço: a minha rádio!! A Burra Nas Couves Rádio!! Depois do email foi a primeira incursão da Burra no cyberespaço, e ainda mantinha a mesma lista feita no tempo em que se podia escolher por tema e por artista (agora já não se pode). Vai daí, adicionei-lhe umas coisinhas mais, e adicionei-a ao blog, para que o benvindo leitor destas linhas possa estar entretido a ouvir a música que eu curto (claro! O blog é meu!), dentro do leque musical que a Cotonete pôs ao dispôr do pessoal. Pois a partir de agora a Burra, além de dar tanga, também vos dá música.
Mas para além da música da Burra, visitem o Murcon, que vale a pena.

Beijinhos e abraços e outras manifestações de afecto

domingo, janeiro 29, 2006

Presidenciais 2006

NEVOEIRO


Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra

Ninguém sabe que coisa quer
Ninguém conhece que alma tem
Nem o que é mal nem o que é bem
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro
Tudo é disperso, nada é inteiro
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

Fernando Pessoa (10/12/1928)

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Crónica de Portugal

     Primeiro foi a luz. Já não estava habituado à luz de Lisboa, e fiquei a entender o fascínio que alguns realizadores de cinema têm com Portugal. Em Portugal a luz brilha de outra forma, mais intensa, mais brilhante, arrancando as cores dos seus sítios e metendo-as pelos olhos adentro. E ao sentir essa intensidade luminosa, era-me difícil conter um sorriso e uma comoção. Pensei que talvez tivesse passado demasiado tempo fora, mas por outro lado, se não tivesse, agora não poderia disfrutar tanto, e notar a diferença.
     Seguidamente, foi baixar à terra, e enfrentar-me à burocracia do aeroporto, para tentar resgatar o meu saco da roupa, esquecido na passadeira das bagagens. Já me tinha esquecido que em termos laborais, uma das características dos portugueses é encontrarem um problema para cada solução, e que as medidas tomadas pelas administrações de empresas servem apenas para facilitar a vida aos seus administradores e altos cargos, nunca os seus empregados e muito menos os utentes.
     Depois, o reencontro com a família, com o bairro, com alguns dos seus habitantes, alguns amigos de há muitos anos, e o recordar de antigas histórias entre uma ou outra anedota. O café sempre óptimo, e a comida, sempre muita e sempre saborosíssima. Com a noite veio um pouco mais de solidão, mas também o recordar de cheiros e ruídos, de locais onde quase já não encontro ninguém conhecido. E caminhei em passos perdidos por essa Almada velha, meio remendada, meio decadente, observando esquinas e fachadas, cheirando o vento, e abandonando-me às minhas memórias.
     Depois fazer-me a Lisboa, e sobre a ponte emocionar-me com a vista desse mar imenso que é o Tejo. Recordar os milhões de vezes que o atravessei, fosse por ponte ou preferentemente, por barco.
     Não sei se pela proximidade do Natal, se por outra razão, fiquei com a sensação que as pessoas tinham “tirado férias” do pessimismo gerado pela crise. Por outro lado, ao deparar-me mais, ao vivo e a cores, da situação política (em plena campanha presidencial), que a classe política vive cada vez mais numa dimensão paralela, em que qualquer semelhança com o país real é pura coincidência, de tão grotesca e desfasada que está. E o povo também se comporta como se já nada tivesse a ver com aquilo.
     Bom, mas voltando à “poesia”. O reencontro com velhos amigos e colegas, também foi emocionante, e tive a sorte de coincidir com a última festa de aniversário do B.Leza, à qual se seguiria o seu definitivo encerramento, por ordem de tribunal. A noite de Lisboa ficará certamente mais triste. Depois do encerramento do Ritz Club, os espaços alternativos às discotecas são cada vez menos. Dentro de pouco só se poderá abanar o esqueleto ao som da martelada.
     Dias depois veio Aveiro, Porto, Coimbra e a serra de Sintra, onde agora é preciso pagar para entrar no recinto da Pena, e em Monserrate. Pensei que os impostos que a malta paga já serviam para a manutenção daquilo tudo, mas enganei-me, pelos vistos. Em toda a minha vida só me lembro de pagar para entrar no palácio da Pena, nunca no recinto.
     A ria de Aveiro sempre bela, e o jantar em Gaia, junto ao Douro, com vista para o Porto do outro lado, é algo indiscritível, mágico. Coimbra também sempre bela, dividida entre os dois mundos da baixa e da Praça da República.
     Depois foi o trabalho que fui fazer, e o encontro com a extraordinária abnegação dos amigos/colegas, que me ajudaram a levar a cabo esse trabalho. O conseguir juntar 3 pessoas que há mais de 10 anos não trabalhavam juntas, e de uma importante quarta pessoa, que dedicou o seu dia de aniversário para trabalhar connosco. Tudo isso deixou-me sem palavras, nem gestos de gratidão. A seu tempo, caros leitores, saberão do quê e de quem estou a falar.
     A noite de Ano Novo, passada inesperadamente em casa da Lígia, que foi DJ do lendário Frágil, durante anos a fio, foi do melhor! Passar o ano no Bairro Alto, a ouvir a melhor música de dança possível, Lígia no seu melhor!
     Na penúltima noite, após um jantar de trabalho, fui presenteado com a volta a casa dos meus pais, em cacilheiro. Os 10 minutos da travessia pareceram-me eternos de tantas memórias que me suscitaram, de outras tantas viagens, a ver as luzes dos barcos ao longe, o marulhar das ondas junto ao casco do barco, Lisboa a afastar-se, mostrando a Rua do Alecrim até ao Camões, e o Terreiro do Paço meio de esguelha, com a sua imponência reduzida por uma ridícula àrvore de natal gigantesca. Na margem-sul, de Alcochete a Almada, as pequenas luzes parecem espectadores do grande luzeiro que é Lisboa. De repente, por cima do Terreiro do Paço, vejo surgir a Sé, o Castelo de S. Jorge, e mais atrás o Panteão e S. Vicente de Fora. Magnífico! Por muitos anos que veja esta paisagem, nunca me cansarei. Assim como ver o Porto desde Gaia, ou Coimbra desde o Portugal dos Pequeninos, ou tantas outras maravilhosas paisagens do nosso país.
     A última noite foi passada, também com amigos/colegas no Musicais, vendo-os fazer um tributo aos Led Zeppelin, e aí encontrei ainda mais amigos/colegas, alguns que já não via há muitos anos.
     Nem as atribulações causadas pela incompetência do pessoal do aeroporto no dia seguinte, conseguiram diminuir a luz que luzia em mim ao voltar para casa.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Degelo esperado para breve

É só para dizer que espero estar para breve o degelo da Burra. Desde que cheguei de Portugal, nem deixaram a bola tocar no chão! Tem sido uma roda viva de trabalho, como podem constatar no recém-criado calendário. Qualquer dia entro em casa e não me conhecem, e chamam a polícia. Agradeço do coração o carinho e paciência dos visitantes deste blog. Não por falta do que dizer, é mesmo falta de tempo.

terça-feira, outubro 25, 2005

Politicamente (In)Correcto (a tão esperada e ansiada continuação)

Muitos devem pensar que o politicamente correcto é coisa dos nossos dias, mas enganam-se. A coisa já se vem desenvolvendo há séculos. E passo a elucidar num historial do politicamente correcto.

Muita gente estará convicta que a abolição da escravatura se deveu à constante luta dos chamados “homens de boa vontade”. Errado! O êxito desse movimento deve-se exclusivamente a propósitos económicos. Como? Os escravos tinham tanto valor como o gado, e qualquer criador de gado sabe que custa muito manter o gado em perfeitas condições de saúde, bem alimentado e bem cuidado, para que a sua rentabilização possa ser efectiva. A diferença é que um escravo podia ser muito mais autónomo que um burro ou uma vaca. Nessa época, a Revolução Industrial ia já a passos largos nos países tecnologicamente mais avançados (daí a serem os primeiros a abolir a escravatura). A equação era simples: em vez de se manter um sem-número de escravos, seria mais rentável que os tivessem trabalhando igualmente nas mesmas condições degradantes, pagando salários miseráveis, mas pelo menos os escravos cuidavam-se a si mesmos. Aí nasceu o proletariado. Como a tecnologia já ia proporcionando máquinas capazes de fazer o trabalho de vários homens, não eram precisos tantos homens para o trabalho. Obviamente que nos países, ou zonas de países mais agrícolas do que industriais, a coisa demorou bastante mais. Daí a guerra da Secessão nos Estados Unidos, e daí países europeus como Portugal e Espanha serem dos últimos a abolir a escravatura.

Mais tarde vieram as sufragistas, a quem não foi dado o direito de voto pelo ideal dos direitos das mulheres, mas sim porque servia os interesses dos partidos políticos, quando já se desenhava o que seriam as pseudo-democracias de hoje.

Com as duas guerras mundiais, foi necessário sacar as mulheres de casa, para manterem os países a funcionar, enquanto os homens iam guerrear. E com isso se verificou que as mulheres eram tão ou mais capazes do que os homens para fazer o mesmo trabalho. Com o fim das guerras, mandaram de novo as mulheres para casa, que obviamente não ficaram muito contentes com o assunto, e demoraram uma série de décadas até conseguirem sair de novo, pelo seu próprio pé. Mas conseguiram mesmo? Conseguiram na verdade um lugar equiparado? Então porque é que em regra geral uma mulher ganha substancialmente menos do que um homem na mesma categoria profissional, e com as mesmas competências e responsabilidades? E porque é que, regra geral, observo que as mulheres que “triunfam” no mercado laboral, em vez de aportar algo de novo, simplesmente se comportam como homens? Com a agressividade, frieza e calculismo inerentes.

Tal qual como após as lutas raciais nos Estados Unidos nos anos 60, verifico que os negros que triunfaram na sociedade norte-americana, o conseguiram porque se transformaram em brancos, sem contribuir em nada da sua cultura ao status quo. Os melhores exemplos são Condoleeza Rice, e Colin Powell.

O mesmo processo da abolição da escravatura, passou-se mais tarde com as descolonizações. Os ataques que Portugal recebeu na ONU (merecidos, sem dúvida), no tempo de Salazar, mascaravam a vergonhosa realidade de que também os outros países queriam “meter a unha”, no que era na altura as “províncias ultramarinas”, o que mais tarde se veio a verificar, com as guerras civis em Angola e Moçambique, que só puderam eternizar-se graças aos apoios estrangeiros (a troco de muita coisa, obviamente). Por conseguinte ninguém estava verdadeiramente preocupado se os povos dessas colónias estavam a ser colonizados ou não.

Vê-se ainda hoje, o que deu a descolonização europeia em Àfrica. Inventaram países que nunca existiram, cortados a régua e esquadro, completamente dependentes de tudo, com um nível de vida extremamente precário, que origina a emigração em massa para a Europa, onde se arrisca a vida numa cerca de arame farpado, por um pedaço de pãp, e uma vida um pouco mais digna. Pois é, até a dignidade lhes foi tirada, aos africanos e a quase todos os países chamados do terceiro mundo. E agora vêm as beneméritas ONG’s fazerem aquilo que eles pensam ser o melhor para esses povos. Ajudar o terceiro mundo com os critérios do primeiro.

Desculpem-me os leitores o linguajar, mas.........não me fodam!!!!!

Cada vez que alguma instituição me vem com uma cantilena qualquer de algo que é para o meu bem, começo logo a preparar o orifício anal, e a vaselina, porque sei que vou ter que aguentar algum outro “supositório”, para o bem de todos.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Politicamente (In)Correcto

É que já não há cu que aguente! Mãe, se estás a ler isto aviso-te já que segues por tua conta e risco!

JÁ NÃO AGUENTO MAIS O POLITICAMENTE CORRECTO!!!!!!!!!!!!!!!!

Quanto mais politicamente correcta se torna a sociedade, mais necessidade sinto de dizer caralhadas, e de verbalmente encher as mãos de merda e esfregá-las na parede! O politicamente correcto é o estado mais vil e cínico a que chegou esta sociedade! Dum snobismo à prova de bala! O parecer bem, o ficar bem, o dizer bem, o fazer o bem, denota a mais baixa condição moral humana! Durante séculos as coisas e as pessoas sempre tiveram os seus lugares nas sociedades humanas, e agora de repente toda a gente é boazinha! Os poderosos sempre foram poderosos, e para se manterem poderosos sempre se apoiaram nos que sempre foderam e sempre foram fodidos. Mas na era do politicamente correcto, toda a gente vive na grande mentira de que toda a gente tem as mesmas hipóteses à partida. Para começar, a lei da selva que tanto horroriza o politicamente correcto, é a lei da natureza: há quem esteja mais acima na cadeia alimentar, há quem esteja mais abaixo, mas imperetrivelmente todos e tudo tem o seu sítio, e os humanos não escapam à regra, por mais que o tentem mascarar. É cruel convencer os cidadãos duma suposta democracia, que têm direito a decidir, quando não se lhes põe diante verdadeiras alternativas credíveis. É cruel convencer um pobre de que se trabalhar muito vai ser alguém na vida. É cruel um artista pop ir a um país do 3º mundo tirar a fotografia com um indígena (de preferência criança), dando-lhe a ilusão de que a sua vida melhorará substancialmente depois da partida do dito cujo. É cruel o politicamente correcto. O politicamente correcto é uma tentativa de que os outros não pensem que pensamos aquilo que verdadeiramente pensamos. È um branqueamento de imagem e intenções. É uma palhaçada mórbida que causa danos irreversíveis à sociedade!

Noutro dia vi num blog amigo a referência a um artista “afro-americano”. O que é isso? Isso existe na realidade? Existem também afro-europeus, afro-asiáticos e afro-oceânicos? Ou é um americano com um penteado afro? Ah, é porque é um americano negro! E de que país é que ele é, já agora? Canadá, Colombia, Argentina? Então e se for americano, mas de descendência marroquina, argelina, tunisina, líbia, ou egípcia? Que eu saiba também são países africanos, cuja raça predominante não é a negra. Que parvoíce é esta? Os vagabundos são sem-abrigo, os almeidas são técnicos de salubridade, os tísicos são portadores de doença infecto-contagiosa, os moinantes são delinquentes, as mulheres-a-dias e as sopeiras são empregadas domésticas, os maricas são homossexuais, os coscuvilheiros são jornalistas e os filhos-da-puta são governo. Andam a gozar com o pagode, ou quê?

Tem continuação............

Filosofia de Emilio

Chegou-me ao meu email uma mensagem com uma série de frases “filosóficas”, e algumas (sabe-se lá porquê) achei dignas de nota, e de reflexão. E passo a citar:


-“A facilidade de falar é quase sempre devida à incapacidade de estar calado”

-“Os políticos são como as fraldas do bebés. Necessitam ser mudados frequentemente, e pelas mesmas razões”

-“Não se deve maltratar as mulheres! A natureza encarrega-se disso à medida que o tempo passa” (Com os homens passa o mesmo)

-“A forma das pirâmides do Egipto demonstra eloquentemente que já nessa época havia tendência para os trabalhadores produzirem cada vez menos”

-“Diz a alguém que há 300 milhões de estrelas no universo e acreditará, mas se lhe disseres que a tinta não está seca, terá necessidade de verificar com o dedo”

quinta-feira, outubro 20, 2005

Acorda, Lerdo!

Aqui há 2 anos, nos camarins do Barbican Center, em Londres, veio-me ter à mão, sem dono, o livro Awakening (se estiver traduazido para português, a tradução talvez seja Despertar), um livro inquietante de Anthony de Mello. O dito cujo era um psicólogo jesuíta, que pela sua postura, não sei se resistiria no presente pontificado, e nem sei como é que a Santa Madre que os pariu lá do Vaticano nunca lhe deu com o xanato no traseiro, pois aquilo que o rapaz advogava, noutros tempos da fidalguia, dar-lhe-ia oportunidade de fazer companhia aos carapaus no braseiro, como o Giordano Bruno. Além do mais as suas amizades eram pouco recomendáveis, pois era íntimo de vários místicos e teólogos de várias religiões e filosofias espirituais. Claro que isso para mim tem a maior simpatia, e o facto de isso provocar uma severa irritação no escroto do santo padre, quase que o amei. É uma livro que recomendo às mentes mais inquietas. Já vou na terceira leitura, a modos de Tai-Chi-Chuan. Vem-me à memória uma frase que um colega meu em Itália me escreveu na agenda escolar, no fim do curso:”L’importante é che la morte ci trovi vivvi!”

Dark Side Of The Moon

 
Resisti 10 meses sem falar aqui de música. Não está mau! Mas a razão é de peso. Saquei da internet um documental do "making of" deste fantástico disco, comentado por todos os intervenientes, 30 anos depois. Invejei bastante o talento e a criatividade dos músicos e do engenheiro de som (Alan Parsons), mas sobretudo invejei as condições em que trabalharam: enfiaram-se no estúdio, e só sairam de lá com o disco pronto! E fiquei a perguntar-me o que é que se passou entretanto com a industria musical. Porque é que depois entrou em vigor a moda de gravar discos em 15 dias? Se isso servia para os Ramones, ou para os Sex Pistols, não quer dizer que sirva para todos. Eu pessoalmente tive sorte, porque na última grande produção que tive em portugal, entrei no estúdio por um mês, e sai de lá ao fim de 3. É que era impossível fazer a coisa por menos!
De volta ao Dark Side, deu-me também saudade do tempo em que havia gente que queria dizer alguma coisa com os seus discos, e os tratavam de verdade como a criação duma obra de arte. O tempo veio-lhes a dar razão. Como "concept-album" (disco de conceito), este disco é provavelmente uma das maiores obras-primas da música contemporânea: pela composição, execução, produção e realização. Foi tudo feito à unha! Hoje temos ferramentas impensáveis naqueles tempos, mas a creatividade, e o tempo para experimentação, simplesmente não existem. Que tristeza!
Vou ver se consigo fazer algo em relação a isso! Posted by Picasa

A Noite (Rectificação)

     Afinal a coisa é pior do que eu pensava. A minha mãe teve a gentileza de me corrigir. É que o tal ritual da oferenda à lua não era para prevenir, já era para tentar remediar! Ou seja que isto do noctívago já é de nascença! E o pior, é que me parece que é hereditário, pois o meu rebento também tem certa dificuldade em entregar-se aos braços de Orfeu. Se eu soubesse antes, poderia ter feito uma brilhante carreira como guarda-nocturno, mas pode ser que o meu filho ainda esteja a tempo!

terça-feira, outubro 18, 2005

1964-2003

Se fosse vivo teria a minha idade. Passou toda a sua vida exibindo o seu mau génio, como um dos símbolos de Barcelona (eleito compulsivamente). Apresentava-se normalmente de costas voltadas para o público, espiando ocasionalmente por cima do ombro, com um olhar de desprezo impressionante. Quando se voltava, era normalmente para arremessar excrementos contra a populaça que o observava, por sorte protegidos por um grosso vidro. Era majestoso, altivo, como um grande rei africano. Vimo-nos cara a cara uma vez, e fitámo-nos mutuamente, o seu olhar arguto impunha um respeito impressionante. Uma vida de cativeiro nunca esmoreceu a sua altivez e a sua dignidade, e a sua revolta. Quis o destino que a causa do seu destaque fosse a causa da sua morte. Pela sua condição de albino contraiu cancro de pele. Mas como desde bebé lhe foi negado o direito básico da liberdade, pelo menos teve direito àquilo que é negado a muitos humanos: a eutanásia.

Cumprem-se 2 anos após a sua morte, e queria aqui prestar a minha mais humilde reverência a um símbolo de majestade constante num cativeiro ridículo. Posted by Picasa

Hibernação

É Outono! Lá fora chove. Obrigado pelas evidências da vida a despir-me da arrogância que os humanos têm em desvincular-se da sua condição animal primeira, recolho inexoravel e lentamente, como um urso à gruta. Adeus, até à primavera!

segunda-feira, outubro 17, 2005

A noite

Rezam as crónicas familiares, que quando eu era bebé, a minha avó paterna me ofereceu à lua, em ritual, para que eu não fosse vadio. Suspeito que os esforços da pobre mulher foram contraproducentes. Tenho vivido a maior parte do tempo da minha vida de noite. Posso pôr todas as desculpas possíveis para que isso acontecesse: a vida profissional, os sonos trocados, etc. O que é certo é que levo mais de um ano, tentando levar a vida de uma pessoa normal, e levanto-me cada dia às 7 da manhã, mas mesmo assim, a noite vem-me chamar à cama a meio do meu sono profundo, e arrasta-me para dentro dela, como se lhe pertencesse. Alguns dirão “sofres de insónias!”, não, não sofro de insónias, porque quando me é permitido durmo muito bem..............durante o dia! Conheço pessoas que levam anos a dormir 2 e 3 horas, e essas, sim, sofrem de insónias, mas eu não me aguentaria nesse ritmo. Por vezes, deito-me antes de jantar, ou faço uma sesta, quando posso. Mas mesmo quando estou morto de sono às 11 da noite, invariavelmente acordo a meio da noite, sem pesadelos, sem ruídos, apenas acordo.

Também se poderia dizer que prefiro a noite ao dia. Não tenho a certeza, pois gosto muito da clara frescura duma manhã de sol, de sair à rua e gozar da exuberância das cores e dos aromas que o dia traz. Das tardes de verão que sempre me remontam à minha infância (não sei porquê).
Por outro lado a noite tem o recolhimento e a intimidade, que o dia não tem. É certo que prefiro trabalhar de noite do que de dia. Concentro-me muito mais, e estou comigo mesmo.

Escrevo esta posta porque mais uma vez, e inexplicavelmente, acordei às 4 da manhã, depois de me ter deitado antes da meia-noite, e ter adormecido. Tenho um primo que é psicólogo, e que uma vez saiu num programa de televisão a explicar toda a história dos ciclos do sono. Bastante interessante, mas já não me lembro.

A noite tem a sua própria magia, algo de clandestino. Como quando comecei a trabalhar naquilo que viria a ser a minha futura profissão. Comecei na noite de Lisboa, que então era muito diferente do que é hoje. Era como um clube selecto a que muito poucos tinham acesso, e pouco a pouco, esse clube me foi abrindo as portas de par em par, até fazer-me membro honorário. Dei-me conta disso, quando há um par de anos me encontrei com um fotógrafo que conheço desde esses tempos, para lhe comprar algumas fotos recentes que me tinha feito. E quando lhe perguntei se ele tinha alguma foto desses tempos, e lhe comecei a referir lugares, personagens e datas, ele disse-me: “Mas isso foi no princípio de tudo! E tu estavas lá!”. Pois é, dei-me conta nesse momento que se tinham passado 20 anos, e que eu tinha feito parte dos primórdios da noite lisboeta. Quando o Bairro Alto era um bairro mal-afamado, onde só paravam putas e jornalistas (muitas das redacções residiam lá). Lembro-me da decadência, das putas, dos edifícios, e dalguns dos jornalistas, e outras personangens militantes da via alcoólica para o socialismo. Lembro-me da inauguração do Frágil (para verem o quão antigo sou), das noites passadas no Ocarina por vezes até entrarem as mulheres da limpeza. Lembro-me também das mudanças que me afastaram para outros lugares do Bairro Alto, ou mesmo para outros da cidade. Nessa conversa, com o fotógrafo, tive então consciência de que tinha feito parte de algo, sem o saber, e sem querer: os primórdios da noite de Lisboa! O mais engraçado é que eu não sou de Lisboa, nem nunca morei em Lisboa. Mas isso pouco interessa à noite, que ainda aqui em Barcelona, continua a reclamar a minha presença, nem que seja a ler um livro, a ouvir música com os auscultadores, ou a ver um filme. A noite sabe que o meu corpo já há muito tempo não me puxa para a borga, e que o “bater as capelinhas” foi coisa do qual me cansei há muitos, muitos anos. Então dedico-me a velar o sono dos meus, e a encontrar-me comigo no escuro..........................e conversar.

Não sei se algum dia a noite me vai deixar dormir em paz, mas entretanto vou-me questionando: hábito ou doença? Maldição ou benção? Pouco me interessa. Como li há pouco na Corveia: “Se entendes, as coisas são como são, se não entendes, as coisas são como são!”

quarta-feira, outubro 12, 2005

segunda-feira, outubro 10, 2005

Defesas anti-aéreas

Rapazes e raparigas, comentadores e comentaristas habituais e eventuais deste blog. É com grande pena minha que me vejo obrigado, eu também, a pôr a verificação de letras (o tal word verification, embora as words sejam muito esquisitas) quando voxelências se dignam a comentar o que acham digno e oportuno de tal coisa. É que neste preciso dia, em que muitos de vocês devem estranhar tamanha febre "postal" minha (estou em casa com gripe), este vosso blog servidor foi bombardeado por infames comentários publicitários. Assim, para que tanto vocês, e principalmente eu, nos vejamos livres desses bombardeios vejo-me obrigado a forçá-los a este pequeno incoveniente, para que o ar continue respirável aqui no curral da Burra. Só esperamos (eu e a Burra), que isso não vos atemorize ou esmoreça os vossos sempre benvindos comentários. Como dizia o outro, da discussão nasce a luz, e como dizia a saudosa Drª Rute Remédios "As opiniões são como as vaginas, cada um tem a sua e quem quiser dá-la, dá-la!!". Bem haja a vossa compreensão.

Os destroços já foram removidos pelas brigadas de limpeza, o caminho está livre!

A vista que eu tinha da janela quando trabalhava no Citibank, na Pla�a Catalunya, em Mar�o de 2003 Posted by Picasa

Meninos & Meninas

Desculpem lá, mas ao ler uma posta da Sandra Feliciano, não pude deixar de reflectir sobre o assunto. Ou sou eu que arrogantemente estou num estado superior da evolução humana, como várias vezes me foi apontado, ou então nasci no país errado, e às vezes suspeito que no planeta errado, também. Não entendo como é que toda a gente se põe “em bicos-de-pés” dizendo que estamos no século XXI, e tal, e a evolução tecnológica, e mais não sei quê, e a evolução social, e o ocidente e o oriente, e os direitos humanos, e os direitos dos animais, e salvem a terra, e a baleia, e a formiga d’asa, e mais não sei quê. É que ainda se anda a discutir as coisas das mulheres e as coisas dos homens, e ainda se anda a falar das mulheres como se tratassem duma minoria étnica em vias de extinção. Ora, se bem me parece, penso que a nível mundial existem muito mais mulheres que homens. Então? Que é que falta?
Pode ser que seja muito pretenciosismo da minha parte, mas eu tenho amigos homens, mulheres, negros, mulatos, indianos, cegos, deficientes motores, homossexuais, lésbicas, àrabes, velhos, jovens, e nunca tratei ninguém diferente pela condição daquilo que é, mas sempre por quem é. Há gente extraordinária de todos os formatos e feitios e cores, assim como existem pessoas extremamente estúpidas nas mesmas condições, ainda que aqui em Espanha tenham tendência para se agruparem todas no PP, o que facilita o reconhecimento.
Andar nos dias de hoje a debater o que é das meninas e o que é dos meninos, é, para mim, perfeitamente absurdo, ainda que concorde que tristemente, continua a ser necessário. As mentes iluminadas da nossa sociedade debatem ferozmente estas e outras questões, e no final voltam todos às suas respectivas cavernas.

Resultado das Eleições

"Raede Ceasare quae sunt Ceasaris", "Raede Populum quae sunt Populis"

E depois ainda há quem me pergunte o que é que eu faço aqui. Não sei! É que até nova ordem só tenho esta vida para viver, e o D. Sebastião nunca mais chega, e já lá vão 400 anos. Começo a suspeitar que os políticos portugueses são uma mutação. Em vez de estômago têm papo.

domingo, outubro 09, 2005

Ainda o 3º Aniversário

Ainda a propósito destes 3 anos que passaram, queria deixar-me das inevitáveis queixinhas, e falar sobre aquilo que aprendi, e de que me lembro.
O primeiro mês foi a incógnita total. Quase não consegui dormir, entre a excitação de toda a vida pela frente para consolidar coisas, e o facto de estar a morar entre a calle Aragón (que tem 6 faixas de trânsito) e a Avenida Diagonal (outras tantas). Lembro-me que o casal que morava no andar de cima fazia amor pontualmente à uma e meia da manhã, quase como quem escova os dentes antes de dormir. Vinha-me sempre à memória uma canção da Joni Mitchell:" The Crazy Cries of Love".
Depois o princípio duma nova rotina, começando a dar aulas na escola Passatge. Começando a aprender a dar aulas. O aperto de ver o meu dinheiro a chegar ao fim, e a salvação que constituiu a minha entrada no departamento de cobranças de visa no Citibank, departamento de Portugal. A seguir o desencanto. Começa a guerra do Iraque, lá fora a população manifestava-se, e eu sentindo-me como um traidor a soldo do inimigo. Três semanas depois era despedido duma maneira ignóbil, como é uso e costume deste tipo de instituições “respeitáveis”. Quanto mais “respeitáveis”, mais ignóbeis os seus procedimentos.
Foi também o conhecer um novo universo e novas culturas: a catalã, a espanhola, e principalmente a latino-americana. A latino-americana por mão dos meus amigos argentinos, chilenos e venezuelanos. Constatar como Espanha mantém fortes laços culturais e económicos com as suas ex-colónias, e compará-lo com o “virar de costas” do estado português às suas. Ver como os actores, escritores, pintores e músicos espanhois são conhecidos e apreciados na América Latina, e vice-versa, constituindo assim um mercado cultural quase inesgotável.
Foi aproximar-me ao flamenco, que desde sempre me havia seduzido através de Paco de Lucia e do seu grupo, e descobrir todo um universo de cores e sons, muito mais aberto do que eu pensava.
Foi também aproximar-me à cultura marroquina, através dos meu alunos dum centro de jovens em Terrassa. Descobrir que afinal não somos tão distantes, nem na religião, nem na cultura. Descobrir de onde vieram certos ritmos portugueses. Descobrir que eles podem estar um pouco atrasados, mas que são iguais ao que nós éramos há 30 anos atrás.
Foi aprender que no bairro onde vivo, podem conviver diferentes etnias, religiões e culturas em relativa harmonia, unidos pela comum condição de imigrantes, e que é tão fácil ser simpático. E como este fenómeno está a mudar a face da cidade.
Muitas vezes me perguntei porque é que a Europa rejeita tão veemente a integração dessas novas culturas que vêm até ela, desaproveitando uma oportunidade de ouro para uma regeneração que se anuncia urgente e já tardia?
Nesse sentido, tudo parecia bem em Portugal a princípios dos anos 80, e que a pujante exuberância e creatividade das pessoas que recentemente tinham chegado das também recentes ex-colónias estava a contagiar beneficamente a sociedade portuguesa. Depois, veio a entrada na CEE, e os sucessivos governos cavaquistas, e as cores empalideceram, e se acinzentaram. Um amigo meu argentino disse-me que é o medo a crescer, que é o medo a mudar uma estrutura que de tão velha já cai aos bocados, e que desesperadamente se tenta manter a todo o custo. Mesmo a custo de esquecer velhas querelas de séculos e criar uma união.

Os nossos poetas

Um amigo meu mandou-me isto por emilio. Que é que vos parece?


Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.

Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.
Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:eu te pertenço.
És cabra, és badalhoca,és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não!


Jorge de Sena


Parece que o rapaz estava com maus fígados. No entanto......

sexta-feira, setembro 30, 2005

Três anos

E passaram 3 anos. Na verdade não passaram assim tão rápido. Como dizia um slogan publicitário de uma marca de relógios "O tempo é o que se faz com ele". Passou-se muita coisa durante estes 3 anos. Desde a incerteza da aventura inicial, até à quase estabilidade dos dias de hoje, muita àgua passou debaixo da ponte. Desde o minúsculo quarto alugado em casa da Laia Cagigal, minha colega na escola Passatge, até ao minúsculo apartamento onde vivo.
Foi uma decisão difícil, de consequências dificeis. Mas ao mesmo tempo, quase uma decisão para a qual a própria vida me empurrou, e para a qual eu sabia que não havia volta atrás. E neste preciso momento, a volta atrás é algo perfeitamente inconcebível. E noto isso quando alguém me pergunta inusitadamente se eu neste momento voltaria a viver em Portugal. A minha reacção primeira é de surpresa total, porque é uma opção que me passa tanto pela cabeça como ir para padre, e como consequência a minha resposta imediata é negativa. E sai-me sem qualquer tipo de hesitação. Quer dizer isso que renego a 38 anos da minha vida? Não, em absoluto! Continuo a ser tão português como antes. Sou, e serei portador de uma herança cultural, e de uma experiência de vida que nenhuma condição apagará. Sou o que sou e quem sou, porque vivi o que vivi, onde vivi e com quem vivi. Renegar isso, seria renegar-me a mim mesmo, e tenho por experiência pessoal, que a maior certeza que existe na vida, além da morte, é que até que a morte chegue, terei que viver comigo mesmo, e é de toda a conveniência que essa convivência seja o mais pacífica possível. Não sei se me faço entender bem.
Mas foram 3 anos em que não tive que lutar diariamente pelo respeito que me é devido por ser pessoa, e muito raramente fui alvo do mau-humor dum qualquer imbecil que acordou mal-disposto, seja na rua, nas instituições ou no trabalho. Não tive que andar atrás de ninguém quase implorando que me paguem o meu trabalho nos prazos acordados (por vezes foram meses, mas já o sabia à partida, e pagaram-me quando eu o esperava). Em que vi o meu trabalho devidamente valorizado e respeitado por colegas e clientes, tendo estes sempre uma palavra amável, que nos ajuda sempre a acreditar cada vez mais em nós próprios, e a aligeirar a carga que o trabalho em si possa constituir. Foram 3 anos em que por me esforçar por ajudar-me, muita gente e instituições me ajudaram, em vez de me dificultarem o caminho. Foram 3 anos, ao fim dos quais posso dizer que me sinto uma melhor pessoa, muito longe da imagem dum tipo azedo, tristonho e desiludido que se punha diante dos olhos cada vez que pensava no meu futuro, quando vivia em Portugal. Ao mesmo tempo dá-me uma certa raiva, porque podia ter e ser isto tudo sem ter que sair do meu próprio país, bastava que o povo ao qual pertenço fosse um pouco mais inteligente emocionalmente. Desgraçadamente esse povo escolhe o caminho do "chico-espertismo" com todas as consequências que daí advêm, e que cada vez mais saltam à vista de quem queira ou não queira ver. Existe a firme crença que é mais fácil despejar a merda do nosso quintal para o quintal do vizinho, em vez de a limpar. Existe a firme crença que "trabalhar é bom para o preto", e que é mais fixe ser "muita esperto", enganar os outros, fugir aos impostos, e viver de esquemas que sempre tramam alguém. Um gajo tem que se safar (consultar anterior posta). Os efeitos desta "vocação" nacional tornaram-se palpáveis com os sucessivos anos de incêndios. Assim como a terra, os recursos sociais queimam-se, e tornam-se àridos e só alguns poucos beneficiaram alarvemente deles. E quando uma "mama" seca, inventa-se outra, até que todas sequem. E não é de agora, é de sempre. Só nos orgulhamos de ser portugueses através dos Carlos Lopes, das Rosas Motas, dos Campeonatos Europeus de Futebol, das Expos 98, e outros que tais, que nos puxam a lagriminha ao olho, porque parece sermos incapazes de nos orgulharmos individualmente de nós próprios. Falo, obviamente de uma maneira geral. Indentificamo-nos com os herois nacionais que nos apaziguam a consciência, e nos fazem sentir um pouco menos miseráveis.
Lá estou eu de novo no choradinho de sempre! Desculpem-me os leitores, mas é que ainda não consegui superar uma série de coisas, como ainda não consegui explicar aqui a ninguém esta relação amor-ódio com o meu país. E também me mete raiva não conseguir resolver isso, porque é muito difícil demarcar a fronteira onde acaba o amor e começa o ódio. Pelo menos não me é indiferente, e isso já é algo que me descansa. Como dizia o professor Agostinho da Silva, existem os povos "ou" e os povos "e", a maior parte dos povos são "isto ou aquilo", mas há povos como o português que são "isto e aquilo e várias coisas ao mesmo tempo". Provavelmente sofro eu também da tendência geral do ser humano de querer explicar o inexplicável, para me sentir mais seguro, para ter algo onde me agarrar.
Bom, mas seguindo com o dizia antes, uma das conquistas mais importantes, ou talvez a mais importante, foi o facto de eu ter conseguido reunir as condições para ter o meu filho Sérgio a viver aqui comigo, e ver que ele se sente contente e feliz com isso, apesar das muitas saudades que tem da mãe, do irmão, da família e dos amigos.
Passei estes 3 anos numa cidade maravilhosa, que dá gosto sair à rua e admirar os seus edifícios. Dá gosto passear pelo bairro, mesmo sendo o mais degradado da cidade, e entrar num café paquistanês, comprar um pão galego, beber um café italiano e comer uns pastelinhos marroquinos, tudo no mesmo sítio. Passear no centro da cidade ao domingo e ver as ruas cheias de gente, e pensar que a baixa de Lisboa nesse preciso momento estará deserta, apenas com alguns turistas para apreciar a sua glória, enquanto a típica família lisboeta se passeia pelo Colombo, ou pelo Vasco da Gama. Vivi 3 anos sem saber o que é o sigilo bancário, e que se eu (ou qualquer outro cidadão) se escusa a pagar uma multa, ou um imposto, ou seja o que for, o estado ou o governo regional aleija onde mais doi: na conta bancária. Vivo há 3 anos num sítio onde em vez de ir para longas bichas para comprar impressos, e outras tantas para os entregar, apenas faço uma chamada telefónica conserto dia e hora, e faço a minha declaração de impostos em 10 minutos. Onde o liceu onde estuda o meu filho me faz pagar apenas 100€ por livros e material escolar por todo o ano lectivo, e que desses 100€, o governo central comparticipa com 85€. É que os livros servem de um ano para o outro, e pertencem à escola. E com grande satisfação minha, esse liceu receberá o Premio Educação 2004, da Generalitat da Catalunya (o governo regional), dando assim um exemplo a toda a região, e quiçá ao resto do estado espanhol. Três anos ao fim dos quais, pude dar-me ao luxo de não trabalhar no mês de Agosto, e poder descansar, coisa que não me acontece há aproximadamente 20 anos. Lembro-me de tirar 3 semanas de férias em Dezembro de 1985, e outras 3 semanas em Janeiro de 1997.
Foram apenas 3 anos que passaram, mas foram 3 anos de àrdua luta, que finalmente começam a dar os seus frutos. Foi uma loucura, recomeçar tudo de novo quase com 40 anos. Ao passo que há 5 anos atrás, em Portugal, depois duma semi-ausência de 2 anos, fui obrigado a começar tudo de novo, como se nunca lá tivesse vivido e trabalhado durante pelo menos 20 anos. Começar de novo, por começar de novo, decidi começar de novo num sítio onde vale mais a pena. E efectivamente vale! Não é nenhum paraíso, nem esperava isso, apenas esperava poder viver uma vida normal, entre gente normal, num país normal. Muitas vezes tenho saudades da esquizofrenia colectiva do povo português, mas os custos são demasiado dolorosos.

sábado, setembro 24, 2005

Afinal a jiboia era outra!

Primeira gripalhada do pós-férias! Assim a modos como a dizer-me "já estamos no outono, deixa lá os chinelos, e calça-te alguma coisa que agasalhe mais os chispes". Pois é, e quem é que diz agora aos pés para se enfiarem dentro de tenis, sapatos ou botas, quando estão desde Maio, alegremente "laureando a pevide" ao léu, com os chinelitos? Sim, os mesmos chinelitos-de-enfiar-o-dedo que há 30 anos só os pobres e desleixados usavam, hoje são ostentados como uma peça de roupa indispensável ao mais fashion dos veraneantes. Aqui chamam a isso, favela-fashion. Ainda não percebi se é uma piada de mau-gosto, se é pura ignorância. Para mim, é o conforto.
Com esta idade, e ainda tenho dúvidas quanto aos sinais do corpo. A mandriice que me vinha atacando há uns dias, não era senão a costumeira gripite do equinócio, que sempre me apanha à traição no outono, ou na primavera. Naquelas alturas absurdas que nunca se sabe o que vestir, e que se resiste até à ultima na indumentária estival.
A propósito de sinais do corpo. Eu já tinha conhecimento do modus operandi sueco, Sandra. O que se passa é que o autor deste livro fala de nórdicos, mas refere-se a alemães, ingleses, belgas, holandeses e quejandos. Não me parece que os suecos, finlandeses e noruegueses estejam englobados nesta definição. Até porque a sua filosofia de vida, muito pouco tem a ver com eles. O autor do livro tenta explicar algo que é uma tendência natural da essência de cada povo. Os nórdicos de que ele fala, tem uma adoração pelo trabalho, pela organização, pela productividade, e pela eficiência. Valores, que de uma maneira geral, são um pouco estranhos aos povos mediterrâneos, mais peritos no ócio criativo, como a convivência, as artes, a gastronomia, e outras coisas que tais. Obviamente que tudo isto de uma maneira muito geral.
Mas disso já tinha falado bastante o nosso querido Agostinho da Silva, que embora estivesse certo no seu raciocínio, por vezes carecia de um certo realismo. É que o ser humano é bastante surpreendente, mas normalmente surpreende para o pior, muito mais do que para o melhor.
Pessoalmente, sempre achei que o esforço industrializante do Portugal pós-CEE era ridículo, pois tentar competir em quantidade com Alemanha, França, Reino Unido, e até com Espanha, era na melhor das hipóteses dar um passo muito maior do que a perna. Muito melhor teria sido apostar numa produção pequena, mas de qualidade, nomeadamente na agricultura (em vez disso, practicamente se aniquilou), e vendê-los como delicatessen, com denominação de origem, a exemplo do que fizeram os belgas e os suiços com o chocolate, que nem sequer é originário de lá. Muito melhor teria sido apostar por uma oferta turística de qualidade a preço acessível, e não deixar fazer o que fizeram com o Algarve, e pelos vistos, o que estão a fazer no litoral alentejano. Mas não, há sempre a tendência saloia de se pôr em bicos de pés, sem sacar proveito da nossa própria dimensão. Sou português, mas sinceramente, nunca entendi o meu povo. É-me extremamente difícil explicar aqui aos meus amigos o que é Portugal e os portugueses, ficam sempre sem perceber nada, e eu idem.

Mudando de assunto. Festas da Mercè. A festa maior da cidade de Barcelona, a que eu pela primeira vez me juntei, como convidado do grupo Bazar. Teve um gostinho especial tocar na Plaça Catalunya, mesmo em frente do edifício, onde há 2 anos e meio tive uma das piores experiências laborais da minha vida, trabalhando no departamento português das cobranças de contas visa do Citibank. O trabalho em si já era horroroso, mas uma sub-chefe gratuitamente déspota e arrogante, completava o quadro, como uma ginja em cima do bolo. Esta gente continua a acreditar que a productividade se consegue à custa de má-onda e intolerância. Nessa época, tinha iniciado recentemente a 2ª guerra do Golfo, e as manifestações na cidade eram diárias, e as concentrações na Plaça Catalunya, também. Sentia-me a trabalhar para o inimigo.

quarta-feira, setembro 21, 2005

Preguiça Productiva

Afinal parece que a preguiça produz alguma coisa. Mais que não seja o encontro (ou reencontro, não percebi bem), entre 2 postantes habitués aqui da Burra. E é que para mim o encontro tertuliante entre pessoas é do melhor que há. Ainda que sejam 2 pessoas que infelizmente não conheço pessoalmente, são sempre benvindos.
Não sei se a propósito ou não, mas comprei um livro num alfarrabista por 1€, cujo título é "La Mediterrània i els bàrbars del Nord", e como subtítulo a jeito de explicação diz: "Els nòrdics ens han industrialitzat el món, propiciant una nova societat de l'oci on els esclaus seran les màquines. Ha arribat l'hora de tornar a l'ideal epicuri i humanista de la Mediterrània". O título chamou-me a atenção, por uma frase minha, constante em discussões filosofico-políticas com norte-europeus. Principalmente quando faziam comentários desagradáveis acerca dos povos do sul da Europa. Apenas lhes lembrava que historicamente está provado que do norte da Europa nunca veio nada realmente aportador e inovador para a humanidade.
Ainda sobre livros, ontem recebi uma prenda de valor incalculável para mim. Os meus queridos pais enviaram-me por correio, uma edição de 1974 das obras completas de Guerra Junqueiro. Delicio-me sempre ao ler os versos da "Velhice do Padre Eterno", infelizmente não há versão traduzida aqui deste lado, portanto faço o possível por partilhar a genialidade do poeta com os meus amigos daqui.

Nota final: hoje a jibóia transformou-se em dor de cabeça fulminante, e quase nem saí da cama! Nem consegui ler o Guerra Junqueiro.

terça-feira, setembro 20, 2005

A Preguiça

Ataca sempre de mansinho, como uma jibóia que se enrola à volta do pescoço. E sempre me apanha quando mais preciso de estar desperto e activo para afrontar o novo ano de trabalho. E quanto mais tento resistir, mais me aperta.

domingo, setembro 11, 2005

Diada de Catalunya

Hoje é o dia da Catalunha. Desde quando? Desde que no século XVIII, uma revolta de ceifeiros foi esmagado pelos espanhóis, e os converteu em mártires da nação catalã. É extraordinário o sentimento positivo deste pessoal ao celebrar uma derrota. Seria o mesmo que os portugueses celebrassem a data da batalha de Alcácer Quibir (Qsar El Kabir). A propósito, muitos dos meus alunos marroquinos são de lá.
E o trabalho continua, para bingo, espero!

sábado, agosto 06, 2005

Deixa arder que o meu pai é bombeiro!

30 incêndios descontrolados em Portugal, e o primeiro ministro de férias no Quénia! Estou sem palavras, e quase sem vontade de voltar nem que seja de férias! Tento preservar a imagem do Portugal que conheci outrora. Verdejante, esplendoroso, para mim o país mais bonito da Europa! Pelo menos seguirá existindo na minha memória. Glória eterna aos bombeiros, que além de serem as únicas pessoas que fazem alguma coisa para que o país não desapareça, parece-me que são os únicos voluntários da Europa. São pessoas normais e correntes que além de lutarem contra o fogo (que já é um inimigo titânico), lutam contra a negligência de um estado autista. São os portugueses verdadeiramente patriotas, que arriscam a própria vida para salvar o que é de todos, não arriscam uma carreira política.

sábado, julho 30, 2005

Férias

***********************************************************************************
***********************************************************************************
***********************************************************************************
***********************************************************************************
***********************************************************************************
***********************************************************************************
*********************************************************************************** ***********************************************************************************
*********************************************************************************** ***********************************************************************************
***************************************************************************** ***********************************************************************************
***************************************************************************** ***********************************************************************************
***********************************************************************************
***********************************************************************************
***********************************************************************************
***********************************************************************************
*********************************************************************************** ***********************************************************************************
************************************************************************************ ***********************************************************************************
*********************************************************************************** ***********************************************************************************
***************************************************************************** ***********************************************************************************
***********************************************************************************
***********************************************************************************
***********************************************************************************
***********************************************************************************
*********************************************************************************** ***********************************************************************************
*********************************************************************************** ***********************************************************************************
************************************************************************************ ***********************************************************************************
***************************************************************************** ***********************************************************************************
***********************************************************************************
***********************************************************************************
***********************************************************************************
***********************************************************************************
********************************************************************************* ***********************************************************************************
***********************************************************************************
*******************************************************************************
************************************************************************************* ***********************************************************************************
***************************************************************************** ***********************************************************************************
***********************************************************************************
***********************************************************************************
***********************************************************************************
************************************************************************************
************************************************************************
************************************************************************************
************************************************************************
Obrigado pela vossa atenção!

sábado, julho 23, 2005

The Return Of A Pensar Na Morte Da Bezerra

Ok! Sao 2 da manha, estao 34º e 95% de humidade no ar. O que equivale a dizer que estou a suar em bica, e a beber litros de àgua para repôr. Por isso nao sei se tenho as ideias muito claras, mas vamos a isto. Perdoem-me a falta de acentos, mas o computador onde escrevo nao é o meu, e o teclado nao tem til.
As reacçoes à ultima posta em que me pus a pensar na morte da bezerra, trouxeram outros elementos ao debate. Nomeadamente, o Rogério Charraz falou no elemento coerência, do ponto de vista de que deveriamos fazer aos outros o que gostamos que nos façam, e vice-versa. Ideia essa atribuída a um tal Jesus, que segundo reza a lenda, era um revolucionário na sua época. Parece-me bem que essas ideias ainda sao revolucionárias ainda hoje, pois conheço muito pouca gente capaz de pôr em práctica essa famosa coerência. Nem sequer falar em pensar ao de leve o facto de se deixarem pregar na cruz, como parece que aconteceu ao rapaz, pelo simples facto de ser coerente. Obviamente nao é necessário chegar a tais extremos, mas decididamente acho pouco edificante que a nossa sociedade ache perfeitamente normal a falta de coerência. E acha tao normal a falta de coerência, que julgo que o substantivo apropriado para esse sentimento, se chama demagogia. Ora isso todos sabemos (uns mais, outros menos) que é práctica comum entre a classe política, e que aparte de ser considerado uma coisa normal, é exibida com apanágio. Inclusivamente, (entre a classe política) quem melhor seja demagogo no seu discurso, melhor político será.
Mas deixemos isso, por agora (senao isto nao acaba nunca). Senso comum e coerência. O que é isto? Bem, quanto ao senso-comum, muito ainda haverá por dizer, mas sendo grosseiramente pragmático, vamos supôr que é o tal conjunto de valores que permite practicar a sabedoria, esta resultado de um conhecimento (ou experiência), e este resultado de informaçao absorvida. Agora, coerência? Sendo pragmaticamente grosseiro de novo, arrisco dizer que a coerência é o viver e actuar de acordo com o que nós próprios acreditamos, com os nossos valores, em definitivo, com o nosso senso-comum. E aqui começam as contradiçoes! Vamos lá a ver se nao me baralho.
Comecemos pelo senso-comum. O senso-comum (grosso modo) diz-nos o que está bem e o que está mal. Mas eu, que sou um egocêntrico, e este é o meu blog, e eu falo de mim aquilo que me apetecer, sem cargos de consciência. Como dizia, eu, já nao acredito nessa treta dos filmes de cobóis, e da biblia, dos bons e dos maus. Nem do ying e do yang, nem das forças brancas, nem das forças negras, e o diabo que os carregue! As coisas, as pessoas e os bichos nao sao bons nem maus, sao aquilo que sao, e ponto final! Acontece que temos uma resistência tremenda áquilo que nao entedemos, e como nao entedemos, vêm ao de cima as nossas inseguranças, consequência dos nossos medos. Por conseguinte, aquilo que nao entedemos e nao nos é agradável, é mau, e aquilo que sim, é bom. Vocês, nao sei, mas eu acho isto um bocado infantil. Nomeadamente, porque nos condiciona a vida de uma forma estúpida, pois toda a gente quer ser dos bons. E quando gente assim tem poder nas maos, a coisa pode inclusive ser perigosa! Isto para nao falar do facto de que, partindo do ponto de vista do mal e do bem, cada coisa tem o seu contrário. Como resultado, para os que se consideram bons, os maus sao maus, e para os considerados maus, sao os que se consideram bons é que sao maus, e vice-versa (nao sei me estou a explicar bem).
No entanto, acredito mais no senso-comum como uma inteligência instintiva, e parece-me mais lógico e aceitável dividir as coisas entre inteligente, e nao-inteligente, mas de uma maneira instintiva. E isso que quer dizer? Quer dizer que sabes que uma coisa deve ser feita de tal maneira, nao sabes explicar porquê, nem tens que explicar porquê, porque há certas coisas que nao nasceram para ter explicaçao. Mas acontece que desde os filósofos da antiguidade, que a malta tem a mania de andar sempre à procura do porquê de tudo, vai-se lá saber porquê. Inclusive, eu, estou para aqui à procura do porquê do senso-comum, da coerência, e do raio-que-me-parta, isto tudo culpa do Frank Zappa (glória a ti nas alturas), contradizendo-me de uma forma perfeitamente incoerente. Pois se eu acho que as coisas sao aquilo que sao, e ponto final, para que é que ando aqui a discutir o sexo dos anjos? (O calor está-me a desconcentrar)
Agora a coerência. A coerência gera lutas internas imensas, pois é muito bonito pregar o que seja, mas na base do "faz aquilo que eu digo, e nao faças aquilo que eu faço". Só mesmo grandes malucos é que fazem e vivem segundo aquilo que dizem. Ou entao nao se diz nada, para depois nao terem que se aguentar à jarda de viver segundo o discurso que tao efusivamente botaram. Instintivamente sempre tentei viver em coerência, e nao é tarefa fácil! Para começar, ganhei entre os meus amigos a reputaçao de ser um gajo fixe, mas completamente chanfrado, pois metia-me em alhadas tremendas, só pelo facto de agir de acordo com a minha consciência. E é verdade! Meti-me em alhadas tremendas, que me ajudaram imenso a crescer, tais foram as pantufadas que levei. Mas também é verdade, que se nao agisse de acordo com o que me ditava a minha consciência (ou senso-comum), instintivamente, sentiria como se fosse uma traiçao a mim próprio! Nunca ninguém entendeu isso! Toda a gente pensou que eu queria provar nao-sei-quê a nao-sei-quem. Cedo entendi, que por muito que se lute para ter o controle da própria vida, essa luta é inglória e mais do que isso, inútil. Pois cada um tem que viver a vida que tem para viver, e aproveitá-la ao máximo. Como aquela tirada brilhante atribuida ao John Lennon: "a vida é aquilo que te passa, enquanto fazes outros planos". Portanto, o melhor é estar atento ao que a vida nos reserva, e aproveitá-lo. E quando o sr. Murphy e a sua lei se lembram da malta, aguentar-se à bronca, que a coisa há-de melhorar, pois depois da tempestade vem sempre a bonança. Ou seja, viver seria quase como navegar: aproveitar o vento, a maré, e apontar numa dada direcçao. Pode ser que lá cheguemos, ou nao, mas o importante de tudo, no final, é gozar o passeio. Pois se vivemos obcecados com a chegada, olhamos para trás, e nao vimos nada. E isso deve ser muito triste!
Viver com senso-comum e em coerência? Que quer dizer isso? Viver de acordo com uma inteligência instintiva, da qual faz parte a máxima "nao faças aos outros aquilo que nao gostas que te façam"? Sim, mas nao como uma lei, ou uma conduta moral à qual estamos obrigados, mas por uma questao de inteligência, porque assim viveremos todos muito melhor. Porque pelo facto de se empurrar a merda que nos toca limpar, para cima do parceiro, estamos como estamos desde o princípio dos tempos. Tomem o exemplo dos mongoloides, que sao pessoas afáveis, sinceras, carinhosas, simpáticas e simples, por natureza, e aos quais, nós os normais, lhes atribuímos tao pouca inteligência. Onde é que está a inteligência, entao?
Vou bater com o focinho na palha, que já nao digo coisa com coisa. E quanto à bezerra, paz à sua alma!

sábado, julho 16, 2005


Ontem � noite estive no c�u, e conheci Deus. Ainda estou em transe, levitando a 2 palmos do ch�o. N�o consigo sequer articular um coment�rio! Posted by Picasa

quinta-feira, julho 14, 2005

A pensar na morte da bezerra strikes again

Os comentários (sempre benvindos, e agradecidos) acerca da “posta” lançada 3 postas abaixo, junto com a releitura da mesma, fez-me ainda debruçar mais sobre o assunto, a níveis de quase insanidade. E como estas coisas são demasiado grandes para uma pessoa aguentá-las sozinha, aguentem lá vocês também.
Partindo do princípio em que a sabedoria é conhecimento posto em práctica através do senso-comum, decidi tentar analisar e concretizar o mais objectivamente e pragmaticamente possível esta etérea substância da psicologia social. Vamos supôr que o senso-comum é um conjunto ético-moral de regras adquiridas tanto pela aprendizagem veiculada pela família, como pelas nossas experiências sociais ao longo dos anos. E como tal, o senso-comum torna-se também numa entidade reguladora do nosso comportamento. Torna-se a nossa consciência, o nosso "grilinho falante", aquilo que nos diz "o que está bem, e o que está mal". E aqui é que "a porca torce o rabo"! Chegado aqui, encontrei-me com várias e importantes questões, que passo a enumerar, por ordem desordenada:
– O senso-comum pode ou não ser isolado das nossas fobias e paranoias, que também condicionam o nosso comportamento?
- Utilizamos o senso-comum por conveniência? Para sentirmo-nos melhor connosco próprios? Para nos sentirmos melhores com os outros? Quando não estamos distraídos?
Sendo um mecanismo que nos diz “o que está bem, e o que está mal”, qual é a medida de cada um para isso? Ou há uma medida global?
Até que ponto é que “o que está bem” está mesmo bem, ou é um situação que nos faz sentir satisfatoriamente seguros? E até que ponto “o que está mal” é exactamente o contrário?

Levando em consideração a última questão, devo ter em conta que para que nos sintamos satisfatoriamente seguros, teríamos uma lógica e coerente tendência para fazer o bem, e com isso além de nos proporcionarmos bem-estar, consequentemente o proporcionaríamos aos outros. E com isso, se desencadearia uma reacção em cadeia de bem.estar geral. Então o que é que falha? Se organicamente temos tendência para o bem, porque é que o mal ganha cada vez mais terreno? Será porque cada um tem a sua concepção do bem, e só essa é válida, e não temos em consideração as concepções benfazejas dos outros?
Li uma vez nalgum sítio "se queres mudar o mundo, muda-te primeiro a ti próprio, e o mundo mudará". A princípio não entendi muito bem o sentido da frase, mas com o passar do tempo entendi uma série de coisas relacionadas com o assunto. Entendi que sempre buscamos factores externos para os nossos males internos, como quem procura colírio para uma unha encravada. Sentimo-nos bem em fazer alguma coisa para resolver o problema, ainda que essa coisa seja absurda e inútil. Porque fazer alguma coisa que possa desiquilibrar a delicada arquitectura psicológica que nos levou tantos anos a construir, é algo impensável e de consequências imprevisíveis. Além de que delegamos nos outros a responsabilidade, que não assumimos nós próprios, de ser felizes.
Então, se a nossa concepção do bem é passível de erro, se a maneira como a aplicamos, idem, essa pode ser uma das razões para a falência do senso-comum? E como consequência, a ausência de sabedoria? E isto sem analisar a nossa concepção do mal, e como o evitamos.
Tenho os neurónios à bofetada uns com os outros. Acho que vou para a praia pedir conselho aos peixes, pode ser que tenham aprendido algo com o Stº António.

segunda-feira, julho 11, 2005

Coquetices

A Burra também é coquete, e como tal gosta de mudar de roupa, de vez em quando. Este lindo conjunto de verão, fresquinho e verdejante, serve também para acomodar um práctico "bolsinho" para pôr os links que merecem uma espreitadela. Como o modelo "primaveril" não continha tal adorno, achei por bem pô-lo, mais que não seja por agradecimento e retribuição aos blogs que tiveram o carinho suficiente para incluir a Burra nos seus links.

Beijocas, vou para a praia!